quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ainda a perseguição à Igreja

A tese segundo a qual se está enveredar por um caminho de perseguição à Igreja ganha adeptos, embora essa tese esconda o essencial: a Igreja reage aos acontecimentos e às acusações numa tentativa de preservar a qualquer custo a sua imagem. Aliás, não se estaria à espera que as reacções fossem de outra natureza que não esta. Também é evidente que este é o pretexto ideal para se destilar ódios. No entanto, o facto é que há centenas (milhares?) de alegadas vítimas que acusam taxativamente membros da Igreja de pedofilia; outro facto é a reacção da própria Igreja, entre o silêncio e o encobrimento.

Quanto à perseguição, digo apenas que os paralelismos com o anti-semitismo me parecem claramente exacerbados. Acusa-se a Igreja de não ter agido em conformidade com a gravidade da situação, mas, de um modo geral, não há perseguição, e a haver limita-se a algum aproveitamento residual que não pode servir de pretexto para se fugir à questão essencial: a reacção da Igreja perante acusações graves de pedofilia. Além do mais, não há qualquer crítica aos fiéis, muito pelo contrário. As críticas incidem sobre membros da Igreja que tem vindo a defraudar as expectativas dos fiéis.

A Igreja já passou por outras situações difíceis, agora vive em tempos de forte escrutínio público. Em suma, reitero que não vejo razões para se falar em perseguição, apenas constato que a Igreja Católica não reagiu, como continua a não reagir da forma que se exigia. O que está em causa são acusações demasiado graves e a procura da vitimização não esconde a necessidade de se procurar, em primeiro lugar, salvaguardar a dignidade de quem foi vítima e pedir que a justiça aja em nome dessas mesmas vítimas, punindo quem prevaricou.

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