terça-feira, 9 de março de 2010

Necessidade de mobilização

O país atravessa dificuldades que só serão ultrapassadas com a mobilização de todos: cidadãos, empresas, classe política. O Presidente da República tem feito constante referência a essa necessidade de mobilização nas suas várias intervenções.

Importa, porém, referir que essa mobilização dificilmente se consegue nas actuais circunstâncias. As suspeições que recaem sobre o primeiro-ministro relacionadas com o caso Face Oculta dificultam a própria governação. Os partidos da oposição condicionados por lideranças fracas, pela ausência de projectos para o país, ou coarctados por ideologias caducas não constituem alternativa válida aos olhos de muitos portugueses.

Nestas condições, reina uma espécie de conformismo que invalida qualquer mobilização. De resto, a tibieza da governação está simplesmente a agravar os problemas já existentes, na precisa medida em que não se apresenta um plano válido para combater o desemprego, para atrair investimento, para reformar a Justiça, deixando a Educação ser tomada de assalto pelo facilitismo mais bacoco.

Em política também é necessário saber gerir expectativas, falar do futuro e envolver os cidadãos na construção do seu futuro. Neste momento e, na verdade, desde há muito tempo, que não se fala de futuro, nem se procura uma participação mais activa dos cidadãos na construção desse futuro. Hoje são os problemas mais prementes que carecem da atenção do governo e da oposição. Consequentemente, a atenção está toda centrada na redução do défice e no combate ao endividamento do país, procurando agradar a entidades externas, naquilo que é uma verdadeira perda de soberania.

Pelo caminho não se fala de futuro e não se mobiliza os cidadãos para um projecto que simplesmente não existe. É evidente que não se pode continuar a pedir sacrifícios a uma classe média que já o faz há uma década e pensar que essa mesma classe média se vai mobilizar; nem tão-pouco se pode mobilizar os jovens que vêem o seu futuro hipotecado, passando grande parte das suas vidas a tentar subsistir em contextos de precariedade do emprego.

Quando se fala em mobilização é necessário perceber que a motivação – o vislumbrar de um futuro melhor –, e a esperança são inseparáveis. O problema é precisamente esse: o tempo presente caracterizado por escândalos, pela ingovernabilidade, por todo o tipo de promiscuidades e pela ausência de alternativas, está a liquidar a esperança dos cidadãos. Esse é o maior perigo para o futuro e que tem inviabilizado a tão necessária mobilização dos cidadãos.

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