terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Avisos do sector bancário

Os responsáveis pelo sector bancário vieram a público chamar a atenção para a inevitabilidade da passagem do ónus da crise para os seus clientes. Ou dito de outra forma: a crise do nosso país em matéria de dívida pública vai ter um impacto nos clientes. É curioso verificar que o Estado português colocou um guarda-chuva de dinheiro sobre os bancos para os proteger e estes, para além de não assumirem as suas responsabilidades, ainda afirmam que a factura de um aumento dos custos do financiamento no exterior terá como consequência um aumento dos spreads. Pior: estes senhores não se coíbem de pedir aumentos de impostos, quando foram beneficiários directos da boa vontade do Estado e quando os impostos que pagam são anedóticos.

É evidente que o discurso destes responsáveis não poderia ser outro. A ganância, a imoralidade e insensibilidade social fazem parte do jogo. Apesar da crise internacional que teve o seu epicentro no sector financeiro, embora não tanto nos bancos comerciais, os lucros das instituições financeiras continuam a ser estonteantes. É lamentável que se peça mais sacrifícios a quem já está delapidado quando os bancos vivem numa espécie de oásis fiscal.

Importa referir que as instituições financeiras beneficiaram e continuam a beneficiar de um país sem qualquer cultura financeira que não olha a meios para ter o que pretende. O resultado é um sector financeiro comercial gordo e um país endividado - Estado, empresas e famílias. Senão vejamos: nunca existiu a continua a não existir um mercado de arrendamento competitivo e dinâmico, levando muitos cidadãos, a maior parte, a comprar casa, recorrendo naturalmente ao crédito; o Estado, na sua senda megalómana, faz o mesmo: recorre ao crédito para "transformar" Portugal.

Assim, não é de admirar que estes senhores da banca tenham a ousadia de dizerem exactamente aquilo que pensam. O país está à mercê do crédito, do aumento das taxas de juro e das decisões dos mercados internacionais . Portugal, de uma forma ou de outra, vai paulatinamente perdendo a sua soberania. Também aqui, as decisões são cada vez mais dos outros e menos nossas.

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