terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Estabilidade para governar

Tenta-se a muito custo que existam condições de governabilidade, os partidos de centro e de centro direita têm feito esforços consideráveis para não terem que ir a eleições tão cedo. O PS talvez até seja o que menos interesse tem nesta situação e embora o país esteja cansado de Sócrates, o mesmo se pode dizer em relação aos outros partidos políticos. Por outro lado, Sócrates, num cenário de eleições antecipadas, poderia jogar a carta da vitimização. Quanto ao CDS-PP, as negociações em volta do Orçamento de Estado deram visibilidade ao partido e este mostrou ou quis mostrar ser um partido de estabilidade e responsabilidade; um cenário de eleições antecipadas talvez fosse um tiro no escuro para o partido e há a hipótese dos bons resultados de um passado recente simplesmente não se repetirem. E, finalmente, o PSD que é o partido que mais teria a perder um cenário de eleições antecipadas.

Com efeito, o PSD anda à deriva e enquanto não se encontrar, isto é, se se encontrar, só pode afastar a ideia de eleições. Não tem capacidade para um embate, mesmo contra um eventual Sócrates desgastado. Neste contexto, a solução passa pela estabilidade governativa, pelo menos por enquanto, e passa, indubitavelmente, pela viabilização do Orçamento de Estado - o PSD e o CDS não se comprometem e ficam-se pela abstenção.

A fragilidade do Governo, consequência do desgaste do primeiro-ministro poderia ser uma oportunidade para o PSD, mas paradoxalmente não é. E não será enquanto continuar a persistir a indefinição no partido. Quanto ao vazio de ideias, esse não é um mal exclusivo deste partido.

Nestas condições, tudo indica que se vai ter estabilidade governativa para os próximos meses. Porém, não é plausível que essa estabilidade perdure por mais que alguns meses. A paz que, por vezes, se verifica esconde uma verdade insofismável: a actual situação política é insustentável porque demonstra não ter soluções para os problemas do país. A paz é frágil, como demonstra a discussão sobre a Lei das Finanças Regionais, e parte substancial da classe política recusa-se em aceitar o facto de ser parte do problema (grande parte) e não da solução.

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