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Subida do desemprego

De acordo com o INE, o desemprego subiu para os 9,8 porcento. O desemprego aproxima-se então da barreira dos dois dígitos. As consequências da crise financeira internacional degeneraram em crises nas economias a nível global, com especial incidência nos Estados Unidos e na Europa. O desemprego é, por ventura, a mais complexa dessas consequências. Mas a crise internacional também tem permitido esconder os problemas de muitas economias, como é o caso da nossa. A crise internacional tem sido, aliás, a justificação para todos os males e continuará a sê-lo durante muito tempo.

No nosso caso, a crise internacional deu enormes vantagens ao Governo que pôde assim esconder as verdadeiras causas da nossa fraca competitividade. As razões que estão subjacentes a essa fraca competitividade e à consequente capacidade anódina que o país tem para atrair investimento e criar emprego são de ordem diversa e depois da crise passar, essas razões permanecerão.

Ora, enquanto o país continuar agarrado a um modelo de desenvolvimento económico e social assente na política dos paliativos que tem empobrecido o país e aniquilado a iniciativa individual, designadamente através da promoção da subsidio dependência; enquanto o sistema de justiça continuar a dar sinais de uma espécie de último estertor; enquanto a educação continuar a ser uma fábrica de mediocridade ; enquanto o Estado for omnipotente e dominado pelo partido do governo em funções; enquanto as políticas fiscais forem intrincadas e onerosas em particular para uma classe média em vias de extinção, bem podemos nos habituarmos à ideia de uma taxa de desemprego de dois dígitos.

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