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Até quando?

Até quando os ilustres cidadãos deste país vão permitir que o Estado e empresas privadas vivam na mais chocante promiscuidade? Até quando os cidadãos deste país vão sustentar políticos que, embora sejam muitos os sinais de descrédito, continuam a ser reeleitos? Nós só temos que ter razões de queixa de nós próprios, de mais ninguém. Somos nós, colectivamente, apesar de algumas honrosas excepções, que vamos permitindo, quer através da nossa complacência, quer através da nossa inépcia, que os piores ocupem os cargos mais importantes.

Nem toda a propaganda do mundo, nem todas as teorias de cabalas e conspirações podem esconder o manto de suspeição que cai sobre o primeiro-ministro; na Justiça é difícil esconder a ineficácia e a ideia que se impõe de uma justiça a várias velocidades e com diferentes resultados consoante a importância das pessoas envolvidas. Ora, esta situação éinsustentável para a sobrevivência do regime.

Nestas circunstâncias, não chega ao primeiro-ministro o silêncio ou passar a ideia que ele é um cidadão como outro qualquer e, por essa razão, não tem que prestar mais esclarecimentos dos que os que considera necessários. Se o primeiro-ministro quisesse ser um cidadão comum, não deveria ter candidatado e recandidatado ao cargo que ocupa hoje. O primeiro-ministro deveria ser o primeiro a pedir a divulgação das escutas para que se esclarecessem todos os eventuais mal-entendidos. E convém ao Eng. Sócrates lembrar-se que uma das funções do primeiro-ministro é precisamente salvaguardar o sistema democrático, sistema esse que tem sido conspurcado por suspeições que recaem sobre si e pela inoperância gritante da justiça que passa a imagem de falta de idoneidade.

Até quando o primeiro-ministro vai permitir que esta situação se mantenha, degradando a própria qualidade democrática? A resposta só pode ser indefinidamente, tendo em conta que os interesses do país são invariavelmente secundarizados por uma classe politica cada vez menos merecedora da confiança dos cidadãos.

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