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Um adeus esperado

O novo Governo foi ontem apresentado. Entre entradas e saídas, e algumas surpresas, a saída, já esperada, mas ainda assim muito desejada terá sido a da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. A pessoa escolhida para ocupar o cargo, Isabel Alçada, começou mal ao afirmar ontem que não tinha sido convidada para o cargo. É claro que é necessário esperar para ver o trabalho da nova ministra, mas é previsível que a filosofia - impregnada de erros - continue a mesma. Haverá certamente mudanças, e seria desejável que a uma das mudanças mais significativas passasse por uma alteração no que diz respeito à relação entre o ministério e os professores. Para tal acontecer, o modelo de avaliação terá que ser revisto.

Outro adeus esperado terá sido o de Mário Lino. Ministro controverso e com uma propensão inaudita para a polémica, Mário Lino deixa o lugar para António Mendonça que, como não poderia deixar de ser, faz das obras públicas a grande panaceia para a crise. Quanto ao ministro da Justiça, António Costa, que se revelou uma perfeita nulidade, deixa a pasta ao líder da bancada parlamentar do PS. E por falar em nulidades, a pasta do ambiente muda também de mãos.

Um sinal de que o primeiro-ministro não está disposto a fazer mudanças de fundo é a elevação de Augusto Santos Silva ao cargo de ministro da Defesa. A primeira observação que se exige é a de Augusto Santos Silva terá que refrear a sua ostensiva acrimónia relativamente às forças armadas. O termo "malhar" não será o mais apropriado no contexto em questão.

De qualquer modo, a notícia mais desejada, apesar de expectável, prende-se com o adeus de Maria de Lurdes Rodrigues. Embora se possa elogiar algumas das suas medidas, designadamente a introdução do inglês nos primeiros anos de escola, o seu trabalho pautou-se pela introdução e aprofundamento de uma filosofia para a educação que condena o país ao fracasso. Maria de Lurdes Rodrigues é responsável por fazer das escolas meros depositários de crianças e jovens e por promover um espírito de facilitismo e permissividade que terão elevados custos quer ao nível económico, quer ao nível social.

Este governo que foi ontem conhecido será muito provavelmente de curta ou média duração, o que não funciona como estímulo para os membros do novo Governo. Segunda-feira o novo governo toma posse.

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