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Também serve

O cenário político do país para os próximos tempos já está traçado: o Executivo de José Sócrates vai governar sozinho, não ficando, no entanto, excluída a possibilidade de um ou outro entendimento pontual. De qualquer modo, o primeiro-ministro é o primeiro a saber que governar sozinho é uma quase impossibilidade e que vai ter de contar com um parlamento pouco amigável. Mas este cenário é, porventura, menos mau do que aparentemente possamos imaginar.

Ora, na eventualidade (ou inevitabilidade) do governo não conseguir governar e na hipótese de eleições antecipadas, o primeiro-ministro pode jogar um dos seus maiores trunfos: a carta davitimização. Com efeito, José Sócrates demonstrou ser exímio na tarefa de se vitimizar . Aliás esse foi um elemento central, a par com a propaganda, da sua forma de estar na política e na sua governação. Basta nos lembrarmos como todas as situações carregadas de opacidade são usadas, paradoxalmente, em benefício do primeiro-ministro. Foi assim com a questão dalicenciatura e será assim com o processo "Freeport".

No caso da governação propriamente dita, a ideia que já se procura passar é que por muito boa vontade que o primeiro-ministro possa ter, vai contar invariavelmente com uma forte oposição dos restantes partidos que vão inviabilizar qualquer tentativa que o Governo possa fazer para levar o país avante. Em seguida, e no caso de haver eleições antecipadas, o primeiro-ministro aparecerá na campanha para essas eleições com a seguinte bandeira: todos os partidos representam forças de bloqueio e por muito que o primeiro-ministro tentasse governar e levar o país no caminho da modernidade, essa tarefa revelou-se impossível. Consequentemente, o povo deverá, nestas circunstâncias, penalizar os partidos políticos da oposição e premiar o primeiro-ministro.

Este cenário de governar sozinho também serve a José Sócrates. Sabe que é a prazo, mas também sabe que o cenário de eleições antecipadas pode não ser assim tão mau como aparentemente possa parecer.

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