sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sem futuro

O texto que se segue será considerado como um exemplo de pessimismo, mas o futuro que se avizinha, do ponto de vista político e de governação, não é seguramente promissor. Vem isto a propósito de uma notícia do jornal Público em que são traçados vários cenários para o futuro governo de José Sócrates. Fala-se num "governo hiperpolítico", formado de forma a coadunar-se com as várias forças políticas presentes no Parlamento e com uma perspectiva de curta duração. O Público on-line fala em dois anos.

Segundo o jornal em questão há ministros que deixarão o cargo que ocupam, designadamente Maria de Lurdes Rodrigues com a Pasta da Educação, Nuno Severiano Teixeira com a pasta da Defesa, Rui Pereira na Administração Interna e o irascível Augusto Santos Silva - o Sr. que gosta de "malhar" na oposição. Nestas circunstâncias, o próximo governo será constituído por novos rostos (alguns nem tanto assim) e serão escolhidos em função de futuros acordos necessários para governar quer com a direita, quer com a esquerda.

Considero que esta estratégia é a mais adequada, mas, e paradoxalmente, nas circunstâncias presentes será seguramente falível. O futuro governo de Sócrates terá duas batalhas: uma, hercúlea, no Parlamento e outra na Presidência da República depois dos recentes episódios que denotam uma acentuada degradação da relação entre Presidente da República e o primeiro-ministro. Deste modo, assumo a minha posição - porventura pessimista - de não ver futuro no Executivo de Sócrates e na governabilidade do país.

Seria mais profícuo para o país que a inevitável ingovernabilidade não se estendesse por demasiado tempo. Será prejudicial para o país que se aguente a agonia de um governo inábil e ineficaz.

De resto, o desgaste do Governo que se verifica na figura do primeiro-ministro e que não se resolve com mudanças nos ministérios, com isso apenas se ganha algum tempo, é um forte elemento a ter em conta aliado a uma oposição que sempre se mostrou frontalmente contra a política seguida pelo Governo e não escondia o desagrado perante os inúmeros episódios de arrogância do primeiro-ministro. A isto acresce o facto dos partidos à esquerda do PS, sem capacidade para governar e arautos de propostas irrealistas ou desastrosas e uma relação com o Presidente da República degradada, provavelmente irreversivelmente degradada, e será com estes dados que o próximo governo tem de contar. Neste contexto é um exercício de grande optimismo ver algum futuro no próximo Executivo de José Sócrates.

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