Avançar para o conteúdo principal

Mais um escândalo de corrupção

O caso "Face Oculta" configura mais um sintoma de que a corrupção é um dos problemas mais graves do país e que essa corrupção atinge fatalmente a moralidade que deveria caracterizar o Estado e as suas empresas. Mais uma vez vem a lume a promiscuidade entre empresas de capitais públicos, negociatas privadas e classe política (será que o Sr. Vara estaria onde está se não fosse a política?).

Infelizmente, já todos sabemos quais as consequências deste caso - à excepção de um ou outro bode expiatório, tudo vai permanecer mais ou menos na mesma, ou seja o caso não tem consequências de maior, acaba por cair no esquecimento e todos continuamos a nossa vida, sem nos lembrarmos destes e de outros episódios. E, por outro lado, somos bem capazes de votar em quem não tem a mínima dúvida moral sobre como conduzir o destino do país - em perfeita harmonia com o seu próprio destino.

A corrupção existe e a impunidade também. Mas essa é, em larga medida, uma consequência das nossas próprias acções. Se continuarmos a premiar quem prevarica ou está-se borrifando para quem prevarica, a corrupção e a impunidade vão continuar a fazer parte da vida. Recorde-se, por exemplo, a falta de vontade ao governo reeleito em fazer face à corrupção. Todos estamos lembrados do destino do Eng. Cravinho e das suas ideias. No entanto, as mesmas pessoas que mostraram a sua verdadeira natureza no que toca a um combate sério e eficaz à corrupção foram os mesmos que receberam o prémio da reeleição.

Enquanto continuarmos a proferir palavras ocas sobre a matéria para depois simplesmente esquecer quem tudo faz para se proteger e proteger os seus grupúsculos , não chegamos lá. Por outro lado, não esquecer o erro crasso de Ferreira Leite - erro que a fragilizou - ao escolher pessoas sob forte suspeição para as listas aos lugares de deputados. Mais um exemplo de como a moralidade na política anda pelas ruas da amargura. E tem tido a companhia da Justiça.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...