quarta-feira, 30 de setembro de 2009

As palavras do Presidente

Ontem o Presidente falou ao país sublinhando por diversas vezes que estava a dar aos portugueses a sua própria leitura dos acontecimentos. Recorde-se que a última semana da campanha eleitoral foi marcada por uma acesa troca de acusações entre PS e PSD sobre uma alegada vigilância da Presidência. Entre notícias dos jornais com diferentes versões dos alegados acontecimentos e o afastamento de um dos principais assessores do Presidente, prevaleceu o caso da alegada vigilância em detrimento da discussão dos problemas do país. Todo este caso foi fortemente marcado pelo silêncio do Presidente da República.

Esse silêncio foi ontem desfeito, embora os esclarecimentos prestados pelo Presidente tenham deixado alguma margem para dúvidas. Mas algumas afirmações do Presidente não deixam de ser graves e indiciam uma clara deterioração da relação entre Palácio de Belém e São Bento. A situação torna-se mais grave no actual contexto: um governo com maioria relativa, um parlamento avesso às políticas do Governo e um Presidente da República que sai claramente fragilizado de toda esta questão.

Analisando as palavras do Presidente, verifica-se que o alvo do seu discurso foi indubitavelmente o partido do Governo. Acusações de manipulação e levantamento de suspeitas que o sistema informático da Presidência estará vulnerável são pontos a reter do discurso do Presidente. Com efeito, o que o país menos necessitava neste momento era destas trocas de acusações entre o partido do Governo, partidos da oposição e Presidente da República. Este é mais um sinal de que os próximos tempos serão particularmente difíceis para o país.

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