Avançar para o conteúdo principal

O trabalho da Autoridade da Concorrência

Depois de especialistas virem a público criticar o trabalho da Autoridade da Concorrência (AdC) no que diz respeito às incongruências que se têm verificado no sector dos combustíveis, o Presidente da Autoridade da Concorrência afirmou que esta tem feito um trabalho que mais nenhuma autoridade tem feito no seio da União Europeia e da OCDE. Ora estas afirmações do presidente daAdC só podem deixar os cidadãos estupefactos, tendo em conta que as conclusões a que a autoridade tem chegado relativamente ao sector dos combustíveis esbarram na realidade dos factos: não obstante a descida do preço do petróleo, os consumidores nunca sentiram verdadeiramente essa descida e a não existência de concertação no sector afirmada pelaAdC pôs o país a rir.
O ministro das Finanças escusa-se a comentar as críticas que são feitas ao regulador e, mais grave, nada faz para contrariar a tendência visível de se prejudicar os consumidores em nome de um mercado mal regulado, poucotransparente e que recorre a práticas lesadoras dos interesses dos cidadãos. O Governo, mostra, nesta como noutras matérias, o desprezo que sente pelos cidadãos que não passam de meros pagadores de impostos que se têm de sujeitar aos ditames de um mercado mal regulado.
Não admira, pois, que se instale um sentimento de injustiça que perpassa toda a sociedade portuguesa: a máquina fiscal é implacável com que pratica, nem que seja inadvertidamente, alguma irregularidade, mas quando se trata de dar a face ocontribuinte passa por situações surreais para conseguir aquilo a que tem direito; o sector da banca está entregue a si próprio; o Estado olha com um misto de desprezo e arrogância para os cidadãos e este sector dos combustíveis usa e abusa dos consumidores.
Estas são práticas que fazem parte do dia-a-dia, sem que nenhum governo mostre-se disponível para mudar o que tem que ser mudado em benefício do cidadão. O trabalho do Autoridade da Concorrência, no que diz respeito ao sector dos combustíveis, deixa, no mínimo, muito a desejar. Apesar das intervenções dos especialistas, nada vai mudar porque o poder político prefere que tudo fique na mesma.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...