quarta-feira, 8 de julho de 2009

PSD e a Saúde

A Presidente do Partido Social-Democrata, na esteira da estratégia de falar verdade aos portugueses, não esconde o seu cepticismo quanto à sustentabilidade do Sistema Nacional De Saúde, não escondendo que os portugueses vão ter de pagar mais para o SNS e não se opondo a mais privatizações no sector. De igual forma, fala-se com alguma insistência na co-existência de dois modelos, dando assim aos cidadãos mais possibilidades de escolha também em matéria de contribuições. Ora, o PSD assume a sua visão liberalista da Saúde.
Estas escolhas mais liberais pode degenerar em situações de manifesta injustiça, acentuando a existência de dois tipos de cidadãos: os que podem pagar serviços de saúde com qualidade e os que, por motivos económicos, estão arredados dessa escolha e que terão de contentar-se com serviços de saúde desprovidos de qualidade.Por muito que se insista que não há esse risco, a verdade é que ele existe e com a situação actual já assiste à tal diferença entre os cidadãos. Dir-se-á que não há muito que possa ser feito para corrigir essas assimetrias e que nisto, como quase tudo na vida, o dinheiro paga qualidade. Discordo. No caso da Saúde, mesmo havendo diferenças, o Estado não se pode desprender de uma das suas principais funções: garantir cuidados de saúde com uma qualidade aceitável, combatendo quaisquer disparidades gritantes que possam haver no tratamento dos cidadãos. É indubitável que com o dinheiro vem por norma a qualidade, mas o SNS tem de continuar a garantir o tratamento digno, rápido e eficiente de todos os cidadãos. Retirar ao SNS o seu carácter universalista é mexer com a sua essência.
O PSD comete um erro com o caminho que seguirá, se ganhar as eleições. Aliás, as mudanças de que a líder do partido tem falado não são seguramente do agrado da maior parte dos portugueses, muitos dos quais nem sequer sonham em optar por serviços privados, criando-se a convicção de que os portugueses têm acesso a serviços de saúde muito diferentes entre si e com a agravante dos políticos não apostarem na qualidade do SNS, apenas na sua sustentabilidade, como se ambas fossem inexoravelmente indissociáveis.

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