quinta-feira, 9 de julho de 2009

É tudo uma questão de atitude

O repto que José Sócrates lançou aos deputados do PS e aos seus militantes, sublinhando que o próximo combate eleitoral será na sua essência um "combate de atitude" entre quem "tem confiança no país, vontade e ambição" e os percursores da "resignação, pessimismo e negativismo", é sintomático de uma liderança partidária vazia de ideias, ou serádemonstrativo que José Sócrates perfilha a teoria segundo a qual as diferenças ideológicas entre PS e PSD são tão ténues que mais não resta do que enfatizar outras diferenças como a atitude ou o estilo?

De qualquer modo, a verdade é que uma campanha legislativa não se pode apoiar na questão da atitude, mas sim num plano político de acção. Embora a atitude seja importante e ninguém negue os efeitos de uma atitude positiva, optimista a pró activa, o que o país precisa é de um projecto político sustentável que permita reunir as condições para que a criação de riqueza seja uma realidade. Com efeito, tudo será em vão e efémero se o país não criar riqueza com o intuito claro e inequívoco de umaredistribuição equitativa dessa riqueza. Ora, o que existe neste momento é um modelo económico que empobrece o país; o que existe em Portugal é uma aversão à mudança que impede o país de se desenvolver; o que tem proliferado são políticas poucoprofícuas que têm contribuído para a existência de um país cujo Estado se confunde com a classe política e esta, por sua vez, se confunde com as maiores empresas.

O problema do país não é tanto a atitude do primeiro-ministro e do seu Governo, mas é antes um problema de ausência de uma estratégia política e da ausência de uma concertação de esforços por parte da classe política para encetar uma reforma na Administração Pública e na Justiça. O problema do país prende-se também com o facto da Educação ter sido alvo de um manancial de experiências obtusas.

Além do mais, José Sócrates não vê óbvio: Portugal transformou-se numa partidocracia que tem arruinado as expectativas dos portugueses e na qual muitos labutam no sentido de manter o status quo. Mas não é só José Sócrates a não ver o óbvio - há uma cegueira colectiva que afecta parte da classe política.

Há um cansaço generalizado que vai correndo a credibilidade da própria democracia e o respeito que os cidadãos têm pelo sistema democrático. É esse cansaço, a desilusão, o descontentamento e a revolta que é preciso combater. Mas esse combate faz-se através de passos no sentido de uma melhoriasignificativa da vida dos cidadãos. De facto, eu posso ser a pessoa mais optimista do mundo, mas demonstrar não ter capacidades para resolver os problemas, e é precisamente disso que se trata: da resolução de problemas que afectam a vida de todos nós, e não tanto o sorriso de plástico e um optimismo inconsequente.

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