sexta-feira, 19 de junho de 2009

O que valem umas eleições

É sobejamente conhecida a capacidade que os políticos têm para encontrar o melhor caminho para ganhar eleições, aliás é esse o seu grande objectivo e é esse, em larga medida o seu métier. Todavia, há uma tendência cada vez maior para se resvalar para uma mediocridade disfarçada de pragmatismo. Hoje as ideologias valem muito pouco e é a imagem e o marketing que fazem o político. Consequentemente, não causa espanto a ninguém que o primeiro-ministro, depois da derrota das europeias, procure mudar a sua imagem. Talvez se acredite que uma mudança de imagem do primeiro-ministro seja essencial para uma recuperação do PS nas próximas eleições, e talvez essa ideia tenha de facto fundamento.
Com efeito, os últimos anos têm sido marcados pelo um acentuado empobrecimento da discussão de ideias no seio da classe política, chega para o efeito desejado proferir algumas frases sonantes, sorrir o quanto baste e vestir bem. A discussão e a troca de ideias foram substituídas pelo poder da imagem e pelo marketing. Deste modo, para se ganhar umas eleições arruma-se a ideologia numa gaveta, aplicando ou defendendo políticas que são amiúde a antítese da ideologia do partido em nome de um suposto pragmatismo que o mundo globalizado impõe.
Para se vencerem umas eleições vale também mudar traços de personalidade que eventualmente possam causar alguma exasperação aos eleitores. E é assim que se assiste à metamorfose de políticos que, consoante as circunstâncias, mostram ou escondem determinados traços de personalidade. Características como a humildade e a simpatia passam a ter lugar de destaque, em detrimento da arrogância e do distanciamento. Felizmente existem honrosas excepções na classe política, pessoas que resistem à tentação de cair na mediocridade e que não sucumbem inexoravelmente ao poder da imagem, mas essa sua resistência acaba muitas vezes por lhes sair cara. A responsabilidade também é dos cidadãos que nem sempre são exigentes com a classe política e raras vezes saem de um estado de quase letargia em relação aos assuntos públicos.

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