Avançar para o conteúdo principal

Visita à Madeira


O primeiro-ministro faz hoje a sua primeira visita, de carácter oficial, à Madeira. Utilizando uma linguagem mais de natureza futebolística, dir-se-á que esta é uma das deslocações mais difíceis de José Sócrates desde que iniciou a presente legislatura, isto embora o Presidente do Governo regional da Madeira ter aligeirado o seu habitual discurso inflamado. Na verdade, este encontro será marcado pela política sem substância do primeiro-ministro e pela política populista do Presidente do Governo regional da Madeira, Alberto João Jardim. De um modo geral esta visita tem um interesse particular para a comunicação social que antevê alguma polémica e momentos caracterizados pelo inefável líder madeirense, e nada de substancial sairá seguramente da visita do primeiro-ministro à Madeira.

Similarmente, o encontro entre os dois políticos será marcado pelas habituais exigências do líder madeirense no que toca às habituais questões financeiras. Num encontro de fachada entre dois líderes políticos que dificilmente se suportam, há questões que se sobrepõem às críticas, como é o caso das reivindicações financeiras de Alberto João Jardim e a interesses eleitoralistas do candidato a primeiro-ministro, José Sócrates.

Em suma, esta visita mais do que não é do que uma oportunidade para a comunicação social conseguir uma frase polémica ou uma reacção despudorada do líder madeirense e a forma como José Sócrates vai agir num ambiente manifestamente hostil, embora esse ambiente hostil se possa transformar num ambiente mais amigável se o líder madeirense conseguir aquilo que quer. Será curioso ver o comportamento do primeiro-ministro na Madeira, meses depois do Presidente da República ter deixado uma imagem menos positiva de si próprio aquando da sua visita oficial à Madeira.

Mais sobre a visita oficial do primeiro-ministro à Madeira in Público online: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1380751&idCanal=12

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...