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Visita do Papa ao Médio Oriente

A visita de Bento XVI ao Médio Oriente reveste-se de uma importância assinalável na medida em que pode ser mais um factor de aproximação entre religiões que insistem em vincar as suas diferenças. É indubitável que a visita mais intrincada é a visita ao Estado de Israel que, para além da sensibilidade inerente à condição do Estado hebraico no contexto do Médio Oriente, o Papa esteve envolvido em polémica devido ao levantamento da excomunhão a um bispo negacionista. Esta visita do Papa a Israel pode ser essencial para encerrar o assunto. Mas no essencial, a sensibilidade da visita prende-se com a constante instabilidade que se vive em particular naquela região do Médio Oriente caracterizada por uma intransigência cega que tanto o lado israelita como o lado palestiniano revelam. Também neste particular, a visita do Papa pode ser apaziguadora agora que o novo Governo israelita dá sinais de pouca tolerância e mostra ter uma postura de confrontação que em nada se coaduna com a necessidade de diálogo no que diz respeito ao melindroso conflito israelo-palestiniano.
Mas de um modo geral, o impacto da visita do Papa ao Médio Oriente terá como grande propósito a aproximação entre diferentes povos e religiões, designadamente entre o mundo cristão e o mundo islâmico. De resto, os últimos anos têm demonstrado que o assinalar de diferenças e a postura de ingerência e confrontação, encabeçada pelos Estados Unidos, têm-se revelado desastrosas na precisa medida em que ignoram a existência de correntes moderadas no Islão que são a chave para a estabilidade no Médio Oriente e para a estabilidade algumas regiões da Ásia Central.
A comunidade internacional, com os EUA à cabeça, tem preferido ignorar o caminho do diálogo e da diplomacia acabando por agudizar sentimentos já por si exacerbados de populações que vêem na política externa de alguns países ocidentais uma forma de ingerência inadmissível e até neocolonialista, embora o actual Presidente americano já tenha transmitido a ideia de pretender introduzir algumas mudanças na política americana para o Médio Oriente. De um modo geral, haja ou não algum exagero nesta forma de ver a política externa de países não Árabes e não muçulmanos, a verdade é que essa ingerência tem-se revelado, no mínimo, contraproducente e serve para reforçar as posições de grupos extremistas e para incendiar as opiniões públicas desses países.
Neste difícil contexto, espera-se que a visita do Papa sirva para contrariar esta tendência e que possa ser um passo importante na aproximação essencial ao Médio Oriente. A tarefa é naturalmente árdua e este Papa já deu provas, num passado recente, de ter alguma apetência para a crispação, mesmo que, por vezes, essa crispação possa não ser deliberada. Em síntese, esta visita representa uma oportunidade para o diálogo com base na tolerância que, não sendo um exclusivo da Igreja católica, representa uma parte inalienável da sua mensagem.

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