quarta-feira, 6 de maio de 2009

Receita com sabor amargo

Segundo uma sondagem publicada pelo Diário de Notícias, o PS continua a liderar confortavelmente, mais ainda assim sem maioria absoluta, as intenções de voto dos portugueses que parecem apostados em insistir na mesma receita de sabor amargo. O grande argumento a favor destes resultados prende-se com ausência de alternativas, nomeadamente à direita do PS. O argumento está gasto e a prová-lo está a subida, ainda que tímida, do PSD. Mas a verdade é que existe uma vasta maioria de cidadãos eleitores que, face a uma situação de escolha, pese-embora essa escolha possa ser condicionada, volta a insistir numa solução que provou ser tudo menos solução. Ora, se a escolha é condicionada, parece lógico escolher-se o que já se sabe de antemão que é negativo.

Quando se fala na prestação negativa do actual Governo está-se a referir ao desempenho do Executivo e não a questões que, embora sejam colaterais à governação, deixam muito a desejar no que diz respeito ao carácter e à idoneidade de quem desempenha funções públicas. E é precisamente sobre a actuação do Governo que deveria recair um voto de protesto em sentido diametralmente oposto àquele que muitos cidadãos parecem indicar. A questão contrária também se pode colocar: votar noutro partido com uma liderança fraca pode ser um risco pesado e sabemos bem de que partidos estamos a falar porque, apesar do Bloco de Esquerda ter vindo a crescer de forma surpreendente, a verdade é que os portugueses alternam entre aquilo que se convencionou chamar os partidos do bloco central: PS e PSD. A sondagem do Diário de Notícias vem reforçar essa tendência de voto, tendência essa que se intensifica com o aproximar das eleições.

A receita com sabor amargo estará prestes a ser reeditada? A julgarmos pelas sondagens tudo indica que sim. A dúvida parece residir na possibilidade ou não de uma maioria absoluta, neste particular tudo indica que não. Fala-se insistência na formação de um bloco central, entre PS e PSD, isto apesar de ambos os partidos rejeitarem essa hipótese liminarmente. É bem possível que essa hipótese seja mesmo plausível num primeiro momento. A dificuldade reside na incapacidade de alguns dos intervenientes em manter entendimentos essenciais em qualquer coligação.

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