Avançar para o conteúdo principal

1º de Maio conturbado

O dia do trabalhador ficou indelevelmente manchado pelos insultos e agressões ao candidato socialista às eleições europeias, Vital Moreira. Mas o dia também ficou marcado pela reacção do líder da CGTP, Carvalho da Silva que afirmou, a muito custo, lamentar as agressões, mas fez questão de compreender a causa da revolta. Ora, nem Carvalho da Silva pode compreender comportamentos de arruaceiros que não fazem ideia do que é viver em democracia, nem tão-pouco compreende as causas subjacentes a esses comportamentos inaceitáveis.

Na verdade, não terá sido tanto a crise, o desemprego, o trabalho precário a levantarem tanto ódio contra Vital Moreira, mas sim uma questão bem mais prosaica: Vital Moreira passou de um lado para o outro; dito de outra forma, Vital Moreira deixou o PCP e agora aparece como cabeça de lista do Partido Socialista. Aliás, não é por mero acaso que a palavra “traidor” foi a mais ouvida durante aquela triste manifestação de ódio e de desrespeito pelos princípios básicos de democracia.

Igualmente grave foi a reacção do Partido Comunista Português que simplesmente ignora a gravidade do episódio em questão, o que não é, apesar de tudo, particularmente surpreendente tendo em conta a pouca tolerância de um partido que clama ter sido, em larga medida, o responsável pelo regime democrático consequência do 25 de Abril, mas que na prática sabe muito pouco sobre a pluralidade de opinião.

Espera-se, por conseguinte, que os eleitores se recordem deste triste episódio não para beneficiar o PS, mas para punir o PCP. Segundo uma sondagem sobre as eleições europeias publicada pelo Diário de Notícias, os portugueses já se anteciparam: o PCP é a quarta força política com uma larga distância do Bloco de Esquerda.


Notícia in Público online: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1378326&idCanal

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...