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A pobreza da linguagem

O cenário político português está repleto de figuras que nada contribuem em matéria de discussão para a resolução dos problemas, mas que não se coíbem de mostrar uma linguagem muito próxima dos taberneiros, sem ofensa para os últimos. Depois da triste cena na Assembleia da República, protagonizada por um deputado do PS e outro do PS, agora são os ataques, no seio do PS, a Manuel Alegre que deixam muito a desejar em matéria de qualidade da retórica.

Depois de José Lello ter acusado um proeminente membro do seu partido de ser desprovido de carácter, foi agora a vez de Carlos Candal levantar, de forma tão eloquente, a inevitabilidade de Manuel Alegre "levar um chuto". Esta estirpe de políticos oscila entre a falta de educação e a puerilidade. Ora, a questão do chuto é de uma profundidade tal que merecerá certamente uma séria reflexão dentro do PS e fora deste partido que, nos últimos anos, tem brindado o país com políticos como o tal ex- deputado Candal. Se a questão ficasse por aqui, não seria tão grave - o problema passa pela vacuidade de muitas figuras ligadas à política.

Sabe-se que o pior de algumas pessoas vem à superfície quando as mesmas são afrontadas por alguém ou quando o seu chefe é alvo de críticas. É exactamente isto que se passa no PS - partido obnubilado pela figura do primeiro-ministro. Note-se que Manuel Alegre que é alvo de vitupérios e do mais completo desrespeito pela pluralidade de opinião prefere escolher argumentos, nunca descendo a um nível tão baixo como parece ser a norma agora do PS.

De uma coisa podemos estar certo, não são pessoas que recusam as opiniões contrárias às suas, que utilizam uma linguagem pobre e pueril e que tudo fazem para defender o chefe que devem ter lugar na política portuguesa. Agora cabe-nos, a nós cidadãos, evitar que sejam estes políticos a ter relevância e a conspurcarem a própria qualidade de democracia.

Comentários

O sr Carlos Candal foi quem apelidou MFL de fóssil. Faz parte do seu estilo.

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