segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Qual é a alternativa?


A propósito da Convenção do Bloco de Esquerda que teve lugar no passado fim-de-semana, importa reflectir sobre o que foi dito, designadamente no que diz respeito ao capitalismo. Por muita verdade que exista no discurso de Franscisco Louça, também é facto que as alternativas ao sistema capitalista teimam em não aparecer. De facto é fácil - ainda para mais neste período difícil que se vive - tecer sérias críticas ao capitalismo e declarar-se como uma alegada alternativa anti capitalista. Mais difícil é apresentar alternativas a esse sistema que vão para além do fim dos paraísos fiscais.

Com efeito, um dos dramas da actualidade é precisamente como combater a actual crise e, fundamentalmente, como encontrar formas de tornar o sistema sustentável. Paralelamente, insiste-se em manter os princípios que resultaram nos erros do passado mais recente. E nesse aspecto particular, o Bloco de Esquerda, pela voz de Francisco Louça, tem sido um acérrimo crítico de um sistema que promove a ganância e destrói a equidade social. Todavia, o problema do Bloco de Esquerda e da generalidade dos movimentos anti capitalistas é o facto de esbarrarem na ausência de alternativas credíveis.

Para estes movimentos anti globalização o capitalismo é um inimigo a combater a todo o custo, critica-se a natureza nefasta e iníqua do capitalismo, alguns sentem a tentação de regressar a sistemas que falharam, outros afundam-se nas suas próprias contradições e ausência de alternativas.

A realidade dos nossos dias é marcada por uma crise profunda do capitalismo, diferente das anteriores quer pela sua magnitude, quer pelas consequências. Há quem advogue que a crise seria inevitável e resulta da própria natureza do capitalismo que promove a procura incessante de lucros,beneficiando, invariavelmente, uma minoria. Esquecem, porém, que tem sido este sistema que melhor se coaduna com a democracia, que tem sido este sistema que tem promovido uma melhoria das condições de vida, em particular após a II Guerra Mundial. A actual crise, fruto dos excessos, da ganância, da ausência de visão estratégica e de planificação.

O Bloco de Esquerda vai beneficiando com a indefinição e com as crescentes criticas ao sistema capitalista. A vantagem poderá, no entanto, se desvanecer, se ou quando chegar a altura de mostrar verdadeiras alternativas.

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