quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Obama e a esperança

Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, tentou, durante o seu discurso ao congresso, devolver a esperança aos americanos. A situação é de facto difícil. O primeiro discurso do novo Presidente americano no congresso teve dois aspectos importantes: um primeiro relacionado com medidas para combater a crise, voltando a referir as reformas na saúde, educação e energia como elementos centrais da sua política de recuperação económica. Por outras palavras e contrariamente a alguns políticos europeus, Barack Obama propõe medidas para fazer face à crise, mas sem perder de vista as necessárias reformas nos sectores acima citados. A ideia parece ser a de resolver os problemas do presente, mas simultaneamente preparar o futuro; outro aspecto decisivo do discurso do Presidente americano prende-se com a tentativa, bem sucedida, de passar uma mensagem de esperança e de algum optimismo.

Embora o Presidente americano tenha tomado posse há pouco mais de um mês, as críticas têm vindo gradualmente a avolumar-se. Relativamente ao discurso do Presidente no congresso, critica-se o facto do Presidente americano não ter aprofundado o conteúdo das suas medidas para fazer face à crise - Barack Obama ficou-se pelas palavras bonitas, dizem alguns críticos. Assim, a pergunta que se impõe é a seguinte: as palavras de esperança, as tentativas de restaurar o optimismo dos americanos não são essenciais para própria recuperação da economia? Também existe uma faceta psicológica desta crise cujos efeitos negativos são demolidores.

A necessidade de mudança é essencial, já o disse neste blogue. Todavia, também é necessária alguma paciência, afinal Barack Obama tomou posse há pouco mais de um mês e mesmo nestas circunstâncias, o novo Presidente americano já tomou algumas decisões decisivas. Até ao momento, é notória a vontade de Obama no sentido de cumprir as suas promessas. Esta é, pois, uma originalidade rara em muitas democracias.

Finalmente, as críticas de Obama à voracidade em relação ao lucro, à ausência de regulação e a inexistência de discussão sobre estas matérias, deixam antever mudanças que não só são essenciais para a sobrevivência do sistema capitalista, mas são essencialmente morais. E se a economia é desprovida de moral, a política não pode ser. É esse regresso da política que urge conseguir.

Notícia in Público online:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1366586&idCanal=11

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