quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O fantasma do Freeport

O caso Freeport continua a alimentar páginas de jornais e tempo de antena nos principais canais de televisão. Agora foi a vez do procurador-geral da República defender o levantamento do segredo de justiça no processo Freeport. O objectivo é acabar com conjecturas que pairam sobre o processo, designadamente sobre algumas pessoas envolvidas no processo. Esta posição do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, tem o mérito de pretender esclarecer os cidadãos sobre o que se está a passar e, simultaneamente, acabar com as especulações.
Este processo Freeport não provoca apenas um desgaste do primeiro-ministro. De facto, se somarmos os escândalos no sector da banca, envolvendo um conselheiro de Estado, se somarmos a descrença generalizada na qualidade da Justiça, e se nos lembrarmos de negócios, envolvendo o Estado, que nem sempre são realizados com beneficio para o país, o desgaste é da própria democracia.
A actual conjuntura de crise profunda já é potenciadora de uma fragilização dos sistemas democráticos - com as dificuldades a aumentarem, em particular, com o desemprego a subir sem paralelo e com a ausência de lideranças fortes que ofereçam soluções exequíveis - e o processo de consolidação democrático é ostensivamente posto em causa. Acresce a isto a descrença que existe há décadas, mas que se agravou nos últimos anos, na classe política e na Justiça e o resultado será inequivocamente perigoso.
Nestas circunstâncias, a proposta do procurador-geral da República não perde acuidade. Com efeito, é fundamental que se esclareça o país e que se afaste o clima de suspeição que paira sobre o primeiro-ministro. É evidente que esse clima de suspeição só se dissipará com o fim do processo e cabe à Justiça ser célere na apresentação desse resultado. Mas não deixa de ser importante que enquanto não se conhece o desfecho do caso Freeport revelar-se, na medida do possível, o que já se sabe no sentido de acabar com o clima de suspeição que mais não é do que mais uma armadilha para a própria democracia.

Notícia in Público Online: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspxid=1366765&idCanal=12

Sem comentários: