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O paroxismo dos últimos dias

A notícia, veiculada pelo Público online (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1355924&idCanal=11) e que dá conta da vergonha de Condolezza Rice e da submissão do Presidente Bush, consequência das exigências de Israel, vem dar mais um contributo para a saída desastrosa da actual Administração americana. A forma como Ehud Olmert, primeiro-ministro israelita, fala da sua abordagem a George W. Bush e a Condolezza Rice é, no mínimo, um embaraço.

Em síntese, Olmert conseguiu com que Condolezza Rice "ficasse bastante envergonhada" com o seu chumbo da sua própria proposta, na ONU. Mas é a forma como Olmert fala desta sua vitória, descrevendo um Presidente anódino e próximo do ridículo. De facto, se muitos de nós achavam que já tinham visto praticamente tudo do actual Presidente americano, chegamos à conclusão que afinal,George W. Bush ainda tem muito para oferecer.

O ainda Presidente americano ficará na História, entre outras coisas, como sendo o principal responsável pela fragilidade que assolou a política externa americana. A forma quase jocosa como o primeiro-ministro israelita fala da secretária de Estado americana e do Presidente é paradigmático do ridículo a que esta Administração chegou. George W. Bush conseguiu retirar grande parte da credibilidade que os EUA ainda tinham - o episódio descrito por Olmert vem matar parte da credibilidade que os Estados Unidos ainda têm.

Nestas condições, não é de estranhar que os americanos e grande parte do mundo estejam a contar os dias até à tomada de posse do Presidente eleito Barack Obama. E começa a instalar-se a ideia de que mesmo que Obama fique longe de cumprir todas as suas promessas, o facto é que, aparentemente, nada pode ser pior do que o desempenho do actual Presidente George W. Bush.

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