quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O mundo mais próximo dos Estados Unidos

Na tomada de posse de Barack Obama, seguida com grande entusiasmo nos Estados Unidos e no resto do mundo, o novo Presidente americano fez um discurso que nos faz sentir, em particular a nós europeus, mais próximos dos Estados Unidos. De facto, o discurso do Presidente americano também serviu para relembrar a todos que é possível fazer política sem dividir. Más notícias para quem não consegue ultrapassar um ódio visceral, latente ou visível, sobre tudo o que esteja relacionado com os Estados Unidos. Será curioso assistir aos paradoxos que provavelmente a presidência de Obama vai levantar em certos segmentos da vida política na Europa.
Apesar da existência de algumas vozes que vêem em Obama apenas e só uma futura desilusão, grande parte dos americanos e do resto do mundo têm esperança que Obama seja de facto a personificação da mudança. Os líderes europeus mostram-se ansiosos por trabalhar com Obama; no Médio Oriente a esperança também tem o rosto de Barack Obama; o mesmo se passa em África e na América do Sul; a excepção parece ser a cinzenta Rússia.
De resto, é sempre possível fazer-se futurologia e elaborar cenários da presidência de Obama em que reine a desilusão, mas existem factos indiscutíveis: Obama é o grande responsável por uma nova era nas relações entre os Estados Unidos e o resto do mundo, e mais, Obama tem tido uma capacidade notável de restituir a esperança dos americanos, mas também de cidadãos de todas as nacionalidades em todos os países. Essa esperança tem hoje uma importância vital, em particular numa altura em que a crise financeira internacional deixa o seu rasto de destruição e de incerteza e que a instabilidade em muitas regiões do mundo tem vindo paulatinamente a recrudescer.
Imagine-se, pois, que Obama por hipótese não tinha vencido as eleições, precisamente agora que os americanos e o mundo precisam de fortes lideranças políticas. A depressão que tem vindo a tomar conta do mundo seria seguramente mais grave. É verdade que o Presidente americano tomou posse há apenas alguns dias, mas também é verdade que Obama tem vindo a partilhar a sua visão do mundo, visão essa que apresenta enormes similitudes com a nossa. Visão essa que aproxima os povos, ao invés de os dividir. E será muito mais fácil ultrapassar os problemas com que todos nos deparamos em conjunto do que isoladamente, como foi apanágio da anterior Administração. Este é seguramente o melhor sinal que Barack Obama poderia ter deixado ao mundo - um claro abandono do unilateralismo.
Sublinhe-se, por fim, que Barack Obama nunca abandonou o realismo que o cargo que agora ocupa exige. Além disso, sabe-se que apesar de um abandono do unilateralismo de Bush, o Presidente Obama terá como principal objectivo salvaguardar os interesses americanos, tal como qualquer outro presidente. A diferença estará certamente na forma de garantir a salvaguarda desses interesses, procurando consensos, alianças, aproximações num claro contexto de diálogo. Esta é uma excelente notícia para o mundo. Ora, o entusiasmo que se viveu em volta de Obama é sintomático da percepção geral de que os americanos mudaram para melhor e de que o mundo pode também mudar para melhor.

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