Avançar para o conteúdo principal

O extremismo na análise do conflito israelo-palestiniano

O conflito israelo-palestiniano, a par de outros conflitos, é caracterizado pelo extremismo de ambas as partes. Mas esse extremismo não se cinge apenas ao conflito propriamente dito, alastrando também às opiniões, análises e posições que são adoptadas por quem discute este intrincado assunto. Consequentemente, ou se é defensor irredutível da posição palestiniana ou se é pro-israelita. Esta radicalização de posições em nada tem ajudado na resolução do problema.
A actual incursão israelita na Faixa de Gaza é mais uma oportunidade para assistirmos à digladiação de todo o tipo de argumentos sustentando a posição israelita ou a posição palestiniana. A própria comunidade internacional, com os Estados Unidos à cabeça, tem despendido mais tempo a criticar ou a apoiar um dos lados, do que tem contribuído para um entendimento na região. O mesmo se passa com grande parte dos países vizinhos de Israel.
O problema da radicalização de posições é a cegueira a que a mesma conduz. Senão vejamos, as opiniões dividem-se: se for no sentido de defender a posição palestiniana, evoca-se a ocupação dos territórios, a subjugação de um povo, recorrendo-se amiúde a palavras onerosas como "colonialismo" ou "holocausto". Quem defende a posição israelita evoca o terrorismo, os constantes ataques a Israel, a sobrevivência do Estado hebraico. Ora, é possível encontrar veracidade em muitas destas posições, mas o exagero e o radicalismo que frequentemente as caracterizam acabam por obnubilar toda a questão israelo-palestiniana
Por outro lado, e quando os argumentos se esgotam, recorre-se à História ou à própria Bíblia para justificar o que se passa naquela região do Médio Oriente. Fala-se pouco e de modo tendencioso do presente e raras vezes se fala do futuro. Não é seguramente com esta postura que se poderá contribuir para uma solução para o conflito. Acredito, contudo, que a próxima Administração americana vai procurar um maior envolvimento, num contexto de uma maior moderação. Espera-se que assim seja e que outros países sigam esse caminho. Quanto a nós, cidadãos comuns, também podemos dar o nosso contributo. E se não resvalarmos para o radicalismo de posições já estamos, de facto, a dar um contributo positivo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...