quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O extremismo na análise do conflito israelo-palestiniano

O conflito israelo-palestiniano, a par de outros conflitos, é caracterizado pelo extremismo de ambas as partes. Mas esse extremismo não se cinge apenas ao conflito propriamente dito, alastrando também às opiniões, análises e posições que são adoptadas por quem discute este intrincado assunto. Consequentemente, ou se é defensor irredutível da posição palestiniana ou se é pro-israelita. Esta radicalização de posições em nada tem ajudado na resolução do problema.
A actual incursão israelita na Faixa de Gaza é mais uma oportunidade para assistirmos à digladiação de todo o tipo de argumentos sustentando a posição israelita ou a posição palestiniana. A própria comunidade internacional, com os Estados Unidos à cabeça, tem despendido mais tempo a criticar ou a apoiar um dos lados, do que tem contribuído para um entendimento na região. O mesmo se passa com grande parte dos países vizinhos de Israel.
O problema da radicalização de posições é a cegueira a que a mesma conduz. Senão vejamos, as opiniões dividem-se: se for no sentido de defender a posição palestiniana, evoca-se a ocupação dos territórios, a subjugação de um povo, recorrendo-se amiúde a palavras onerosas como "colonialismo" ou "holocausto". Quem defende a posição israelita evoca o terrorismo, os constantes ataques a Israel, a sobrevivência do Estado hebraico. Ora, é possível encontrar veracidade em muitas destas posições, mas o exagero e o radicalismo que frequentemente as caracterizam acabam por obnubilar toda a questão israelo-palestiniana
Por outro lado, e quando os argumentos se esgotam, recorre-se à História ou à própria Bíblia para justificar o que se passa naquela região do Médio Oriente. Fala-se pouco e de modo tendencioso do presente e raras vezes se fala do futuro. Não é seguramente com esta postura que se poderá contribuir para uma solução para o conflito. Acredito, contudo, que a próxima Administração americana vai procurar um maior envolvimento, num contexto de uma maior moderação. Espera-se que assim seja e que outros países sigam esse caminho. Quanto a nós, cidadãos comuns, também podemos dar o nosso contributo. E se não resvalarmos para o radicalismo de posições já estamos, de facto, a dar um contributo positivo.

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