terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Guantánamo divide a UE

Não há acordo na União Europeia sobre um possível acolhimento de presos de Guantánamo. Era aliás expectável que esta questão de Guantánamo dividisse a Europa. (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1357578&idCanal=11). Felizmente, a proposta portuguesa foi encarada por vários países com incertezas e uma natural e saudável desconfiança. Afinal um acolhimento de prisioneiros de Guantánamo levanta mais dúvidas do que certezas, em particular quando as próprias autoridades americanas também sentem várias dificuldades no que toca ao encerramento de Guantánamo.
Barack Obama determinou o encerramento daquele campo de prisioneiros, considerado um erro e uma mancha na imagem dos EUA. Mesmo que não se constate o óbvio, ou seja, que se trata de um problema criado pelos EUA e, portanto, merece uma solução americana, a vinda de prisioneiros para a Europa dificilmente seria bem aceite pela opinião pública. Já para não falar das dificuldades jurídicas que o problema levanta.

De facto, a opinião pública europeia teria consideráveis dificuldades em aceitar prisioneiros que, pese embora tenham estado detidos em situação irregular, tinham sido acusados de estarem ligados a actividades terroristas. Embora muitos possam ou tenham sido já declarados inocentes, dificilmente a opinião pública olhará com satisfação para um eventual acolhimento destes prisioneiros. A sua detenção em Guantánamo é uma anátema que recai sobre esses prisioneiros, por muito injusto que isso possa ser.

A resposta a este problema deve vir dos Estados Unidos, com uma natural colaboração europeia mas a outro nível que não passe pelo acolhimento de prisioneiros, mesmo que os mesmos sejam inocentes. Já bastou a história mal contada dos voos da CIA que tiveram, alegadamente, passagem por vários países europeus. Guantánamo - um erro americano - não pode passar a ser fonte de mais erros e passos dados em falso por parte da UE.

Quanto ao ministro português, as divisões no seio da UE mostram que a questão é mais um pomo da discórdia e que as afirmações extemporâneas do ministro foram contraproducentes. E em abono da verdade, existem problemas, em Portugal, cuja resolução é bem mais premente do que uma eventual vinda de prisioneiros de Guantánamo.

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