Avançar para o conteúdo principal

Obama: homem do ano

A conceituada revista "Time" elegeu Barack Obama como sendo o homem do ano. Era expectável, porventura, que esta e outras publicações tenham escolhido ou venham a escolher Obama como personalidade do ano. De facto, o recém-eleito Presidente norte-americano marcou indelevelmente o ano de 2008. Senão vejamos: conseguiu ficar na corrida das primárias americanas com o peso pesado do partido que é Hillary Clinton, a próxima secretária de Estado americana; conseguiu ganhar essas primárias do partido; conquistou, num primeiro momento o mundo, e depois os EUA, vencendo as eleições para a presidência americana.
Além do mais, foi responsável por uma crença generalizada na mudança, trazendo de volta muitos americanos que se tinham afastado da política. Com Obama, voltou-se a acreditar, a ter esperança. Esperança que se tem vindo a esvair na Europa e em grande parte do mundo, orfãos de liderança, contextos em que a classe política mostra-se incapaz de dar as respostas necessárias a uma crise que parece apenas estar no seu início.Mas Barack Obama também é personalidade do ano por ter chegado à presidência dos Estados Unidos contrariando tudo aquilo que muitos esperavam.
Com efeito, poucos teria acreditado, de forma veemente, que um afro-americano praticamente desconhecido conseguisse chegar a Presidente dos Estados Unidos. E embora a eclosão da crise tenha, eventualmente, potenciado os apoios a Obama, o ex-Senador do Illinois teve o mérito de fazer política como não se via hà muito tempo e, com isso, conseguiu conquistar o país.
Aliás, a eleição de Obama também foi uma lição para um mundo que olha com desdém para os EUA - apesar de, amiúde, as críticas às políticas americanas terem, de facto, o seu fundamento. Por todas as razões evocadas anteriormente, e por outras, Obama é, indubitavelmente, o homem do ano, pelo menos na consideração da "Time". Suspeitando-se, contudo,que muitas outras publicações acompanharão esta revista na escolha de Barack Obama para personalidade do ano. Para o resto do mundo certamente que não haverá dúvidas quanto a quem mais marcou o ano de 2008.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...