segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Processo Casa Pia

Falar deste processo, como de outros dos quais não se conhece ainda uma decisão do Tribunal, levanta vários problemas, sobretudo relacionados com a presunção de inocência dos arguidos. Como é sobejamento conhecido, este processo é o grande teste à Justiça portuguesa. Justiça essa que não há forma de conhecer melhores dias. Depois de tantos falhanços, a convicção generalizada é de que o processo Casa Pia será mais um falhanço a engrossar uma lista que já vai longa.
Por outro lado, a questão incontornável das vítimas - pode-se ter dúvidas em relação a muita coisa, mas há uma admissão que aqueles jovens foram vítimas de abusos sexuais, o que justificou a atribuição de indeminizações às vítimas. Se a Justiça falhar, isso constitui nova tormenta para quem teve fé na Justiça e viu todas as expectativas serem goradas. Não se exclui a possibilidade de novos traumas emergirem de um falhanço da Justiça.
E finalmente, há um outro ângulo que não pode ser analisado de forma dispicienda e que se prende com a própria imagem da Casa Pia e de instituições cuja principal função é salvaguardar o bem-estar dos que se encontram em situação de maior fragilidade. A imagem da instituição em causa foi severamente afectada pelo escândalo. Até hoje há dificuldades em perceber como é que foi possível que todas as situações atrozes que hoje são conhecidas tivessem sido envoltas num manto de silêncio, durante décadas. Hoje, a Casa Pia tem um longo caminho a percorrer no sentido de expurgar o fantasma da pedofilia. Certamente que se trata de um processo díficil, mas sem dúvida possível.
Em suma, o processo Casa Pia, ou melhor, o desfecho do mesmo, terá consequências a vários níveis. O país aguarda já um pouco impaciente uma conclusão. A descrença que muitos cidadãos têm na Justiça poderá mesmo sair reforçada com um dos casos que mais abalou o país, não deixando de fora alguma classe política que se refugiou, amiúde, nas famigeradas teorias da cabala.

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