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Impasse na educação

Depois da chuva de ovos dos últimos dias, o país vive um impasse: enquanto a ministra não demonstra ter intencões de recuar no controverso processo de avaliação dos professores, por outro lado, algumas escolas e a esmagadora maioria dos professores luta contra o mesmo processo de avaliação. Politicamente, não há muito a fazer. A proximidade de eleições condiciona os movimentos do primeiro-ministro - se recuar no processo de avaliação isso será interpretado como sendo um sinal de fraqueza; se continuar a insistir na aplicação do modelo de avaliação em causa terá de lidar com as insurgências quer dos professores, quer das escolas que se mostram a sua recusa em aplicar o dito modelo de avaliação.

No entanto, nem tudo são más notícias. Por um lado, a oposição, designadamente o maior partido da oposição parece estar à espera que as eleições cheguem para escolher um novo líder do partido, e por conseguinte, o PSD nem chega a incomodar verdadeiramente o Governo. Por outro lado, o país tem muitas preocupações, mas a educação está no topo da lista. Contrariamente à àrea da Saúde que afecta uma larga franja da população, a Educação acaba por ser relegada para um segundo plano. Não constitui um problema que pode custar as eleições deste Governo.

A insatisfação dos professores ganhou nova dimensão com o modelo de avaliação, e se é verdade que todas as mudanças são, num primeiro momento mal aceites ou aceites com relutância, não é menos verdade que nem todas as mudanças são positivas e profícuas. Os professores para além de terem vindo a perder o prestígio que é merecido na maior parte dos casos, vêem-se agora atolados em burocracia. E se ninguém contesta a necessidade de avaliação, nem mesmo os professores, a verdade é que o modelo em causa coloca uma pressão insustentável nos professores, atirando-os para o inefável e contraproducente mundo da burocracia. A ministra teima em prosseguir um caminho manifestamente errado.

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