Avançar para o conteúdo principal

Portugal reconhece independência do Kosovo

Ontem, o Governo português decidiu reconhecer a independência do Kosovo, apesar de apoiar o pedido da Sérvia na ONU sobre a legalidade da declaração unilateral de independência do Kosovo. O grande argumento do Governo português baseia-se na inevitabilidade da decisão, ficando subentendido que não havia outra possibilidade, tendo em conta que os nossos aliados, na UE e na NATO, já tinham reconhecido a independência daquela província sérvia.
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, o não reconhecimento da independência do Kosovo colocava Portugal no lote de países que, por razões internas, rejeitavam o reconhecimento da Sérvia. Assim, a decisão do Governo português parece mais uma espécie de esclarecimento que, na verdade, a nível internacional, vale o que vale.
A decisão do Governo português, a par de outros reconhecimentos, é fundamentalmente errada. Já aqui se discutiu profusamente a questão do mau precedente que a independência do Kosovo cria. Não valerá a pena repetir toda a linha de argumentação que sustenta a tese do precedente errado que esta situação cria, nem tão-pouco valerá a pena discutir a questão da Ossétia do Sul e da Abkhásia, também já discutidas neste blogue.
O Governo português refugia-se na inevitabilidade da decisão. Mas a sensação que fica prende-se mais com a habitual subserviência e falta de verticalidade a que os membros deste Governo já nos habituaram. Com ou sem o beneplácito do maior partido da oposição.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...