quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Onde está o querido líder?

A pergunta em epígrafe tem toda a pertinência. De facto, onde está Kim Jong-il, o “querido líder”? Ou melhor: qual o estado de saúde de Kim Jong-il? A ausência do ditador norte-coreano na parada militar realizada, esta semana, que assinalava o 60.º aniversário do regime comunista em vigor na Coreia do Norte, veio contribuir para alargar o leque de especulações em torno da ausência prolongada do líder.
Paralelamente, o líder norte-coreano não é visto desde meados deste mês, e crescem assim as teorias que apontam para complicações do estado de saúde de Kim Jong-il. Aliás, um jornalista japonês avança com a teoria de que o líder já estará morto há anos e que terá sido substituído por sósias.
De um modo geral, são muitos os rumores que pretendem justificar a ausência do líder da República Popular da Coreia do Norte. A ausência de Kim Jong-il e a possibilidade deste padecer de complicados problemas de saúde, trazem à discussão o assunto da sucessão e do destino desta ditadura estalinista. São apontados vários cenários, incluindo uma possível sucessão por parte de um dos filhos de Jong-il, mas ninguém coloca de parte a possibilidade do colapso do regime, restando apenas saber qual o grau desse colapso.
Apesar das situações mais ou menos caricatas que rodeiam a figura Kim Jong-il, a verdade é que este é o inefável líder de uma potência nuclear. Ora, a Coreia do Norte inverteu o processo de desmantelamento de um reactor nuclear. A situação pode ser grave se ocorrer um período de indecisão que poderá culminar em violência ou instabilidade. Afinal de contas, não se pode olhar para a actual situação de ânimo leve: trata-se, apesar de tudo, de um país possuidor de tecnologia nuclear.
Os rumores que apontam para uma doença grave do “querido líder” (fala-se de um ataque cardíaco ou de um acidente vascular-cerebral) podem ter fundamento. Em primeiro lugar, são muitas as fontes a indicarem a existência de um estado de saúde grave: com primazia para fontes chinesas e norte-americanas. Em segundo lugar, nada parece justificar tão prolongada ausência de Kim Jong-il.
Enfim, pode ser que os próximos dias ou semanas possam ser mais esclarecedores, até porque já estão levantadas demasiadas suspeitas sobre o paradeiro e estado de saúde do líder da Coreia do Norte. O futuro deste país pode ser, porém, bem mais complicado do que possa eventualmente parecer. A sucessão pacífica é um cenário, mas o colapso turbulento do regime é um outro cenário possível. Tudo seria mais fácil se esta não fosse uma potência nuclear.

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