Avançar para o conteúdo principal

Casas em Lisboa

A imprensa escrita tem noticiado situações irregulares que envolvem a Câmara Municipal de Lisboa, na distribuição de casas da própria câmara. As notícias indicam que várias casas da câmara foram atribuídas indevidamente a quem delas não necessita. Convinha que as pessoas envolvidas explicassem aos cidadãos as razões que as levaram a ocupar casas e pagar por elas quantias tão baixas. Afinal de contas, a Vereadora que tem a pasta social está a ser directamente implicada nesta situação – pagando menos de 150 euros por uma casa da Câmara – ainda não deu explicações.
Tudo se torna mais grave quando se explica a situação com a falta ou a ineficiência das leis, o que permitiu que isto perdure por décadas. Importa sublinhar que, a provar-se que foram atribuídas casas a pessoas, de forma indevida, coarctando a distribuição das mesmas a quem realmente necessita, há quem deva ser responsabilizado por toda esta situação de manifesto abuso. Urge, portanto, um esclarecimento cabal de quem tem e teve responsabilidades na Câmara.
É claro que estas situações não são exclusivas da Câmara de Lisboa, a diferença é que a Câmara de Lisboa tem um vasto património – aquele que se conhece – e as pessoas implicadas são conhecidas, sendo que uma delas é curiosamente Pedro Santana Lopes. O timing da notícia, coincidindo com a possibilidade de Santana Lopes se candidatar à Câmara de Lisboa dá força a quem considera que a comunicação social é pouco independente.
De qualquer modo, interessa agora esclarecer o que se passou em matéria de distribuição de casas, e encontrar formas de impedir que isso seja possível no futuro, procurando elaborar uma legislação mais transparente e eficaz. Caso contrário, há duas consequências a assinalar: os cidadãos da cidade que realmente necessitam de um apoio que lhes tem sido vedado são manifestamente prejudicados; e a imagem dos políticos que volta a ser jogado à lama.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...