segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Mês de Agosto

O mês de Agosto é sinónimo de férias, mas é também sinónimo de abrandamento substancial da seriedade e da solenidade que caracteriza o resto do ano. Talvez essa solenidade seja mais visível no mundo da política e dos políticos. Mas o mês de Agosto não é mais do que o zénite da silly season que, na verdade, começa muito antes desse mês, havendo mesmo quem advogue que a silly season não tem principio nem fim, perpassa o ano inteiro.
O último momento digno de registo no que toca às actividades políticas foi protagonizado pelo Presidente da República. Mas nem esse último momento consegue contrariar o espírito do mês – afinal, falou-se em demasia da forma como o Presidente abordou o assunto, e raras vezes se discutiu o Estatuto Político-Administrativo dos Açores; nem tão-pouco se referiu o facto dos deputados terem aprovado, no Parlamento, o mesmo estatuto por unanimidade. Certamente que estes assuntos ficarão para Setembro
Entretanto, recomenda-se o aproveitamento das férias que por agora começam, apesar de não ser exactamente para todos. Existe, porém, um problema: Setembro será inevitavelmente um mês oneroso para o país. Regressa assim a tal solenidade, mas desta vez com um travo a incapacidade de dar qualquer volta aos problemas.
Com efeito, o primeiro-ministro e os restantes membros do Governo fingem saber o que estão a fazer, mas no fundo têm plena consciência de que não fizeram o suficiente durante estes quase três anos e que agora já é, de certa forma, tarde. Porquê? Porque toda a acção política do Governo está condicionada pela proximidade de eleições. Todavia o Governo do fingimento depara-se com uma séria contrariedade: o resto do país sente demasiado uma crise que vem de fora, mas que poderia ser debelada de forma mais eficiente se o país estivesse estruturalmente preparado para isso.
Finalmente, duas palavras para caracterizar a oposição: incapacidade completa. Uns estão condicionados por anacronismos ideológicos e mostram a sua total incapacidade de apresentar alternativas viáveis; outros esgotam-se na sua própria nulidade, assistindo impotentes ao decréscimo nas intenções de voto; e outros ainda estão enclausurados numa redoma de seriedade que mais não é do que uma forma aparentemente sofisticada de esconder o vazio de ideias. Por agora, tudo é mais ou menos esquecido. Infelizmente, Setembro tem o condão de nos levar de volta para a realidade.

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