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Movimentações dentro do PSD

O Diário de Notícias deu conta, esta semana, de movimentações no seio do PSD com o claro objectivo de contestar e, em última instância, destronar, a liderança de Manuela Ferreira Leite. O jornal referiu a possibilidade de um grupo dentro do PSD levar a cabo acções de contestação e da possibilidade desse grupo reunir o número de assinaturas suficientes para pôr em causa a actual liderança.
Estas movimentações antecederam um mau episódio protagonizado por Ferreira Leite. Esta semana, a actual líder do PSD escreveu um artigo no jornal Expresso no qual criticava o silêncio do primeiro-ministro relativamente aos últimos acontecimentos relacionados com a onda de criminalidade que assola o país. O problema reside no facto de Ferreira Leite ter feito do silêncio a pedra de toque da sua estratégia política. São estas contradições que dão força à oposição interna que, paulatinamente, fragiliza de forma indelével a liderança de Manuela Ferreira Leite.
As movimentações dentro do PSD terão seguramente muitos rostos, um deles é o sempre crítico Luís Filipe Menezes, embora este refute qualquer relação com grupos de contestação dentro do PSD. A verdade é que Menezes não tem cessado de criticar a actual liderança. Dir-se-ia que não seria grave se a contestação fosse liderada apenas por Menezes, mas as críticas vêm também de Passos Coelho, de Ângelo Correia, etc. Por outro lado, é sempre perigoso menosprezar políticos como Menezes que com a sua persistência associada a um possível descontentamento interno poderá produzir resultados. Embora eu considere que o apoio a Menezes, apesar de significativo, não chegaria para um regresso do ex-líder novamente à presidência do partido.
Ferreira Leite não tem outra alternativa que não seja contrariar esta contestação interna. A estratégia de silêncio adoptada pela líder do PSD carece de uma análise mais cuidada e ponderada que só será possível após a Universidade de Verão do partido, a realizar nos próximos dias. É possível que este evento do partido possa ser decisivo para o futuro político de Manuela Ferreira Leite. De facto, se a líder conseguir ser bem sucedida, as críticas atenuar-se-ão, pelo menos durante algum tempo. Mas se a Presidente do partido for mal sucedida, essas mesmas críticas decuplicar-se-ão.
Em conclusão, os próximos dias poderão revelar-se decisivos para o futuro de Ferreira Leite. De uma coisa podemos estar certos: a estratégia de silêncio adoptada por Ferreira Leite tem um prazo de validade, a política e o silêncio raramente conseguem estar juntos durante muito tempo. E a estratégia da Presidente do partido terá certamente a sua razão de ser, mas Ferreira Leite deverá ter em linha de conta que há situações cuja perpetuação ao longo do tempo em política é fatal. Já para não falar em contradições desnecessárias.

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