Avançar para o conteúdo principal

Há quem não mereça uma segunda oportunidade…

…nem tão-pouco a liberdade. É o caso do terrorista basco, Juana Chaos, a quem foi concedida a liberdade. Dir-se-á que a justiça espanhola não será a mais eficaz ao permitir que alguém que matou dezenas de pessoas em nome de uma causa, e que nem sequer demonstrou qualquer arrependimento, possa sair em liberdade. Não há quaisquer dúvidas que a justiça espanhola falha ao condenar um terrorista que assassinou 25 pessoas a 3 mil anos de prisão, mas depois permite que o mesmo saia em liberdade, sem sequer cumprir 25 anos de prisão.
A posição pode parecer inexorável, mas relativamente ao terrorismo e aos arautos desta forma inaceitável de “luta” não pode haver contemplações desta natureza. Se a lei está errada, deve equacionar-se uma rápida mudança dessa lei. O que não pode ser permitido é que alguém que comete atrocidades como aquelas cometidas pelo terrorista em questão possa sair em liberdade da forma que saiu.
Além disso, há a incontornável questão dos familiares das vítimas. Qual é o Estado de Direito que concebe a coexistência de um terrorista e dos familiares de vítimas de crimes de terrorismo que, inacreditavelmente, terão de partilhar o mesmo espaço geográfico?
Infelizmente, o terrorismo existe e aquele que é apanágio da ETA não é excepção. Haverá quem fale em causas, em lutas, numa tentativa de justificar o injustificável. Em poucas palavras, o terrorismo, independentemente da natureza e do apregoado fundamento, não merece mais do que o repúdio e a repressão. Não é o que acontece com o terrorista espanhol que, em nome do separatismo basco, assassinou outros cidadãos espanhóis. Este goza agora de uma liberdade que não merece e que ofende a memória de quem assassinou de forma tão vil.
Em suma, este caso demonstra alguma fraqueza da justiça espanhola e deixa uma sensação generalizada de grave injustiça para com a memória das vítimas de terrorismo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...