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Ainda o silêncio do PSD

Ângelo Correia, ex-Presidente da Mesa do Congresso da direcção de Luís Filipe Menezes, criticou a perpetuação do silêncio da actual líder do partido, enquanto simultaneamente apelou para a união e mobilização do partido. Ângelo Correia tem dado ao partido um importante contributo. A sua acção política é, aliás, caracterizada pela seriedade e pela coerência. As suas críticas terão seguramente algum impacto na estratégia adoptada por Manuela Ferreira Leite.
Ferreira Leite não abdica de seguir uma estratégia de silêncio que não tem tido efeitos positivos no eleitorado. Segundo alguns analistas, esta estratégia é deliberada e pretende fazer uma clara demarcação do estilo mais efusivo e demagógico do primeiro-ministro.
De facto, não se exclui a possibilidade de Ferreira Leite pretender demarcar-se do primeiro-ministro. Mas essa demarcação teria de ser também no conteúdo e não apenas cingir-se a uma questão de estilo. É possível que a estratégia de silêncio mais não seja do que uma tibieza da candidata a primeira-ministra rotulada de estratégia. Ora têm sido visíveis as dificuldades que a actual líder denota em matéria de comunicação das suas ideias, quando as há.
Em pleno período de férias, o Governo recebeu algumas boas notícias no que toca à economia. Curiosamente essas notícias foram veiculadas precisamente por altura que se realizava a célebre Festa do Pontal. Boas notícias para o Governo, más notícias para a líder do principal partido da oposição que assiste em silêncio à inviabilização de uma hipotética vitória.
Além de Ferreira Leite se estar a comprometer demasiado com um silêncio que ninguém percebe, existe um outro factor de crescente destabilização do partido que fragiliza a própria líder do partido: as divisões cada vez mais acesas no seio do partido. Em qualquer caso, António Borges, apoiante de Ferreira Leite, tem vindo a público manifestar ideias diametralmente opostas àquelas que são ocasionalmente proferidas pela Presidente do PSD. Um sinal dos tempos que aí vêm?

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