
Ferreira Leite não abdica de seguir uma estratégia de silêncio que não tem tido efeitos positivos no eleitorado. Segundo alguns analistas, esta estratégia é deliberada e pretende fazer uma clara demarcação do estilo mais efusivo e demagógico do primeiro-ministro.
De facto, não se exclui a possibilidade de Ferreira Leite pretender demarcar-se do primeiro-ministro. Mas essa demarcação teria de ser também no conteúdo e não apenas cingir-se a uma questão de estilo. É possível que a estratégia de silêncio mais não seja do que uma tibieza da candidata a primeira-ministra rotulada de estratégia. Ora têm sido visíveis as dificuldades que a actual líder denota em matéria de comunicação das suas ideias, quando as há.
Em pleno período de férias, o Governo recebeu algumas boas notícias no que toca à economia. Curiosamente essas notícias foram veiculadas precisamente por altura que se realizava a célebre Festa do Pontal. Boas notícias para o Governo, más notícias para a líder do principal partido da oposição que assiste em silêncio à inviabilização de uma hipotética vitória.
Além de Ferreira Leite se estar a comprometer demasiado com um silêncio que ninguém percebe, existe um outro factor de crescente destabilização do partido que fragiliza a própria líder do partido: as divisões cada vez mais acesas no seio do partido. Em qualquer caso, António Borges, apoiante de Ferreira Leite, tem vindo a público manifestar ideias diametralmente opostas àquelas que são ocasionalmente proferidas pela Presidente do PSD. Um sinal dos tempos que aí vêm?
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