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Reunião G8

Começou ontem a reunião dos 8 países mais ricos, com a habitual participação da Rússia, e de vários países africanos. Os assuntos em cima da mesa são de grande importância, mas não é expectável que os resultados desta reunião sejam decisivos para resolver parte dos problemas que assola o mundo. Vários analistas sublinham a tibieza das lideranças e, consequentemente, a incapacidade das mesmas produzirem resultados assinaláveis. Além disso, a União Europeia continua a ser caracterizada por divergências internas, das quais se destaca as diferenças entre Reino Unido e França no que toca ao proteccionismo defendido por Sarkozy.
A crise económica mundial – a escalada do preço do petróleo, a subida do preço dos alimentos, a desvalorização do dólar e a preocupação com o recrudescimento da fome e da pobreza – está na ordem do dia. Similarmente, a reunião terá igualmente como alvo a questão das alterações climáticas.
Não se esperam resultados significativos da reunião por várias razões: pela tibieza já referida dos principais intervenientes, com especial destaque para o Presidente americano, mas também porque a vontade de empreender mudanças não faz parte da agenda da maior parte das lideranças intervenientes nesta reunião. Importa referir que existem limitações de intervenção no que diz respeito à questão do petróleo, mas esses condicionamento não invalidam o especial enfoque que deverá ser dado à utilização e investigação na área das energias alternativas e à eficiência energética. Note-se que a dependência do petróleo, que é particularmente notória no contexto europeu, exige respostas mais robustas e exequíveis.
De resto, a reunião dos mais poderosos, que decorre no Japão, não vai produzir resultados para além da habitual troca de ideias e manifestação de boas intenções que se poderão traduzir na ajuda a países mais desfavorecidos, designadamente no continente africano. É esperado que estes três dias de reunião sejam também marcados pela condenação geral ao regime de Robert Mugabe.
A ocasião serve, pois, para se discutir, em particular em alguns meios de comunicação social, se os G8 devem ou não sofrer uma ampliação no sentido de incorporar países como a China, Índia, Brasil, África do Sul ou México. Os problemas graves que o mundo atravessa hoje, não vão conhecer resposta daqueles líderes políticos, até porque alguns deles mostram ser totalmente desprovidos de ideias e de coragem política.

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