segunda-feira, 28 de julho de 2008

O silêncio do PSD

A ausência de propostas concretas por parte da líder do maior partido da oposição, tem dado azo a uma discussão sobre a estratégia adoptada pelo PSD. A estratégia parece simples: uma contenção ao nível de propostas alternativas às políticas do Governo; limites na profusão de críticas ao Governo, contrariamente ao que era apanágio das últimas lideranças; simplificação do discurso, associado à necessidade de falar a verdade; manutenção da ideia central de que a oposição deve, em primeiro lugar, fazer uma espécie de fiscalização efectiva ao Governo; aposta na imagem da seriedade e credibilidade, assentes numa rigidez quer do discurso, quer das acções.
A estratégia do PSD está, a meu ver, longe de vir a produzir resultados positivos. Na verdade, é muito difícil gerir silêncios em política, o que vem apenas perpetuar a tibieza do partido. O PSD necessita de se diferenciar o mais possível do PS, se não o fizer corre o risco de não ser olhado como uma alternativa ao actual executivo. Este é que é o cerne da questão.
Assim, parece-me pouco plausível que a estratégia de contenção no discurso e a não explicitação de projecto alternativo poderá ser contraproducente para as aspirações do PSD. Além do mais, a parcimónia de palavras da actual líder traduz-se frequentemente por uma confusão própria do discurso pejado de ambiguidade. A questão das obras públicas foi talvez o caso mais paradigmático: gerou-se uma confusão acerca daquilo que a líder do PSD pretendia dizer. Não é de excluir, porém, que a líder do PSD conseguiu, na confusão que criou, pôr em causa as ambições do Governo; mas não foi expedita na manutenção da pressão sobre o Governo.
Em todo o caso, existe um elemento positivo na actuação de Manuela Ferreira Leite que carece de ser sublinhado: o distanciamento da Presidente do PSD relativamente a Alberto João Jardim. Manuela Ferreira Leite não compareceu à famigerada festa do Chão da Lagoa – palco principal de tristes espectáculos protagonizados pelos anteriores líderes do PSD.
Com efeito, estamos ainda relativamente longe das eleições – no espaço de um ano, muito pode ainda acontecer. O que é evidente é que o PSD ainda não conseguiu aproveitar os momentos menos positivos do Governo. A títulode exemplo disso mesmo, refira-se a forma inequívoca como Ferreira Leite abandonou o discurso que foi o centro da sua campanha para as eleições internas – as questões sociais. São estas incongruências aliadas a um silêncio ou meias-palavras que dão origem a todo o tipo de ambiguidades que geram uma confusão que afastará, inevitavelmente, o eleitorado que procura uma clarificação e uma diferenciação entre os partidos. A estratégia do PSD falha clamorosamente na supressão das ambiguidades ao insistir na ausência de clarificação.

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