
O Partido Comunista Português necessita de perceber que o facto de defender uma organização terrorista (considerada também pela União Europeia como tal), ao ponto de convidar dirigentes políticos associados a essa mesma organização, está a incorrer na relativização do problema e mais grave: está a permanentemente a fundamentar os actos terroristas de um grupo que ainda deslumbra o PCP.
Nestas discussões, é habitual levantar-se questões sobre a classificação de terrorista. Surgem então tentativas de se confundir insurreições com actos terroristas, um pouco na linha de comparação entre assuntos incomparáveis, revelando um desprezo inaceitável pela contextualização desses assuntos; mostrando má-fé quando se utiliza as mais rebuscadas teorias da conspiração; e claro está, relativizando o assunto, procurando diabolizar os governos democraticamente eleitos e quem os apoia.
Não se trata, porém, de uma tentativa de branquear a questão, nem tão-pouco se procura ilibar o governo colombiano de ter actuado, por vezes, de forma menos correcta ou até mesmo suspeita. Mas são as autoridades de justiça colombianas que terão de ajuizar esses alegados procedimentos incorrectos, considerados por muitos como criminosos.
Todavia, essas alegadas irregularidades não podem servir para obnubilar o seguinte: as FARC são um grupo terrorista que para além do sequestro e narcotráfico, praticas outros crimes hediondos, como os assassinatos, as torturas e as violações; já para não falar da forma degradante como trata os sequestrados. E se há dúvidas, recomenda-se a leitura dos depoimentos de ex-prisioneiros das FARC. E se a curiosidade persistir, nada como ouvir descrições de ex-combatentes desta organização terrorista que mostram claramente como a organização nada tem de guerrilheira, mas antes como funciona como uma qualquer organização mafiosa.
Estes argumentos caem invariavelmente em saco roto porque a intransigência e a cegueira ideológica não permitem ver além do Jornal do Avante ou da Causa Operária. Além do mais, e de acordo com os arautos das teorias da conspiração, toda a comunicação social anda a reboque dos interesses americanos, e, por conseguinte, a informação que é veiculada não é plausível.
Não interessam os relatos de centenas de pessoas que estiveram sob o jugo das FARC, não interessa a informação veiculada por meios de comunicação social dos mais variados quadrantes do mundo, nem tão-pouco interessará fazer a destrinça entre grupos que utilizam métodos terroristas contra um governo democraticamente eleito, e as mais variadas insurreições e revoltas (legitimas precisamente por não terem recorrido ao terrorismo, o que dá credibilidade a qualquer movimento).
Em suma, o relativismo que impregna o raciocínio de muitos serve para o pior: a defesa destes movimentos terroristas é de tal forma acentuada – consequência também de um ódio de morte aos EUA – que a legitimação do terrorismo acaba por ser um facto consumado. Com efeito, o que subjaz a quem apregoa levianamente a defesa destas situações é um ódio incomensurável pelos EUA e pelo famigerado imperialismo norte-americano. Fica, pois, por saber o que vai toda esta gente fazer, se Barack Obama for eleito.
Comentários
A amnistia internacional dos EUA cita relatos interessantes para quem quiser saber o que não abre telejornais.
Infelizmente não é só com a libertação da Ingrid que a liberdade chega à Colombia mas sim acabando com as FARC, ELN e AUC e com o narco-tráfico que serve há decadas, tal como o do ópio do Afganistão, para financiar a CIA( ou será teoria da conspiração?)
http://www.amnestyusa.org/document.php?lang=e&id=ENGUSA20080326003