terça-feira, 1 de julho de 2008

Irão nuclear

A existência de um Irão nuclear é considerada, por Israel, como sendo absolutamente inaceitável. Nesse sentido, surgem cada vez mais indícios da possibilidade de Israel poder adoptar uma postura mais musculada – leia-se militar – no sentido de evitar que o Irão venha a possuir armamento nuclear. Assim, inúmeros especialistas têm vindo a avançar a ideia de que o Estado israelita poderá desencadear uma acção militar dentro em breve.
O ex-embaixador americano na ONU, John Bolton, afirma que o ataque poderá vir no seguimento de uma vitória de Barack Obama, durante o período entre a eleição e a tomada de posse. É certo que Bolton afirma que só uma vitória de John McCain poderá contrariar este cenário. Este ponto de vista poderá ser tendencioso, mas acaba por ser, em parte, corroborado por vários especialistas. Além disso, as autoridades militares israelitas têm feito reiteradas demonstrações de força.
O Estado de Israel optará por uma acção militar unilateral se a situação se mantiver, ou seja, se o Irão se recusar a aceitar o total abandono do seu programa nuclear. A verdade é que as sanções impostas não têm surtido o efeito esperado e que o Irão mantém-se resoluto nas suas intenções de desenvolver essa tecnologia.
É evidente que o apoio americano num hipotético ataque militar levado a cabo pelas autoridades israelitas é considerado como vital, e é certamente a ausência desse apoio que estará a condicionar as opções israelitas.
Com efeito, Israel nunca aceitará a existência de um Irão nuclear, por duas ordens de razões: em primeiro lugar porque o que está em causa é a própria segurança de Israel que se tornará ainda mais periclitante no caso do Irão possuir armas nucleares; e em segundo lugar, devido ao acentuado desequilíbrio que resultará da existência de uma nova potência nuclear na região. Relembre-se que Israel é o único país a possuir essa vantagem nuclear, sendo o único detentor de armas nucleares em todo o Médio Oriente.
Por outro lado, se o Irão conseguir desenvolver esta tecnologia, a corrida ao armamento nuclear é considerada como sendo uma inevitabilidade, causando, naturalmente, novos problemas numa região já por si muito instável.
Os Estados Unidos e a União Europeia vão, provavelmente, continuar a insistir na aplicação de sanções. Mas a realidade tem vindo a demonstrar a ineficácia dessas medidas – os responsáveis iranianos continuam a mostrar resiliência em abandonar os seus intentos e não se coíbem de fazer afirmações de ameaça ao Estado Israelita.
Tudo se complica quando estamos a falar de uma região em que os nervos estão constantemente à flor da pele. Israel luta, há 60 anos, pela sobrevivência, e nunca se viu confrontada com uma ameaça tão grave como aquela que surge na sequência de um Irão nuclear. É com este pano de fundo que um ataque israelita ao Irão é um cenário plausível, senão mesmo inevitável. De facto, se o Irão mantiver as suas aspirações a tornar-se na segunda potência nuclear da região, podemos estar na eminência de um guerra.
Por fim, as consequências da eclosão de um novo conflito no Médio Oriente serão, inevitavelmente, trágicas para a região e para um mundo excessivamente dependente do petróleo. Mas também importa reflectir sobre o seguinte: um conflito entre duas potências nucleares – Israel e o Irão, se este continuar na senda pela hegemonia nuclear – terá consequências difíceis de conceber.

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