segunda-feira, 23 de junho de 2008

XXXI Congresso do PSD

Este foi o congresso da consagração da nova líder do Partido Social Democrata. Manuela Ferreira Leite acabou, assim, por mostrar com maior acutilância o diagnóstico que faz do país. Mais do que propostas, o que Ferreira Leite mostrou aos militantes do partido prendeu-se mais com as virtudes do PSD e o recurso ao desvirtuamento das políticas empreendidas pelo Governo.
A prudência, a seriedade e a coerência parecem ser as imagens de marca de Manuela Ferreira Leite. Essas características são importantes para o desfecho das próximas eleições, mas poderão não ser decisivas. Espera-se, portanto, para bem do debate político, que Ferreira Leite comece a discorrer sobre propostas para resolver os problemas mais prementes do país.
Não se espera, naturalmente, que a nova Presidente do partido anuncie uma panóplia de promessas de difícil execução, ou até mesmo inexequíveis. Mas é expectável e profícuo para o partido que Manuela Ferreira Leite elucide o país sobre o que pensa sobre as mais diversas áreas de intervenção política. O debate político deve pautar-se pelas ideias, pelas estratégias, pelas soluções. E é por essa via que o partido deve enveredar.
Agora que o congresso acabou, espera-se que a nova líder intervenha com maior veemência no debate político e no contraditório ao Governo. O país não pode esperar mais por soluções que sejam alternativas às políticas genericamente desastrosas do actual Executivo.
A crítica em relação às intervenções de Manuela Ferreira Leite no Congresso vai incidir sobre o vazio de propostas, criticando o discurso genérico sobre os problemas do país. Ao invés, é possível que depois do congresso possamos assistir ao desenvolvimento de medidas concretas e a discussão dessas medidas, um pouco à semelhança de um programa partidário. Recorde-se que a saída extemporânea do anterior líder não terá deixado espaço e tempo suficiente para que Ferreira Leite tenha pensado ponderadamente sobre medidas e políticas. Seria, por conseguinte, importante que se desse alguma margem à nova líder do PSD.
Todavia, de uma coisa podemos estar certos: o futuro, embora esteja pejado de desafios complexos, pode ser olhado com alguma esperança. Com efeito, os últimos meses/anos têm vindo a ser marcados pela ausência de oposição ao Governo, o que se traduz inevitavelmente pela pobreza do debate político, pela pobreza de ideias e de projectos, e pelo cerceamento da esperança dos cidadãos num futuro melhor e até na viabilidade do país.
Em suma, seria de uma inequívoca proficuidade que se aguardasse para ver quer a intervenção política da nova líder, designadamente em matéria de estilo, e quer no que diz respeito às ideias e projectos da nova liderança do PSD. O que hoje é considerado um vasto rol de generalizações, amanhã poderá ser concretizado num programa de governo, com propostas alternativas ao Governo PS.

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