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Os desafios de Barack Obama

Barack Obama, depois da sua histórica nomeação, tem novos desafios pela frente. O apoio veemente da senadora e sua opositora democrata, Hillary Clinton, é de grande importância para as aspirações de Barack Obama. Deste modo, Obama terá mais possibilidades de contar com os votos das mulheres, de uma parte substancial da classe média, das classes mais pobres e dos hispânicos, que têm sido os apoiantes da candidatura de Hillary Clinton.
Mas os desafios de Obama não se prendem apenas com a reconciliação do partido – que conta agora com o empenho da senadora do Estado de Nova Iorque – e com a conquista dos eleitores mais próximos de Clinton; os desafios estão relacionados com propostas políticas propriamente ditas. Uma das críticas à campanha interna do Senador do Illinois está precisamente na ausência de substância no teor das propostas apresentadas. Agora que Obama tem de fazer frente ao candidato republicano, John McCain, é o projecto político de Obama que necessita de ser o centro das atenções do candidato.
Apesar de tudo, e até porque Obama, nestas últimas semanas, concentrou-se mais em John McCain do que em Hillary Clinton, já é possível percepcionar com maior acuidade as diferenças entre os dois candidatos. Começando pelos pontos comuns entre os dois candidatos, é de referir que as preocupações ambientais fazem parte de ambas as agendas. O mesmo se passa com o encerramento de Guantanamo e com o fim do unilateralismo de Bush.
Contudo, existem diferenças que vão para além da retirada, ou não, das tropas do Iraque. Segundo as sondagens, a grande preocupação dos Americanos prende-se com a economia, até mais do que o Iraque. Dito isto, as propostas nesta área dos dois candidatos poderão ser determinantes para o desfecho das eleições no dia 4 de Novembro.
Barack Obama parece ter como prioridades a Educação e formação, a Saúde e os excluídos no acesso a cuidados de Saúde, e o problema dos desempregados, numa perspectiva de maiores apoios sociais. A candidatura de Obama não está tão colada à ortodoxia económica que tem sido prática nos últimos anos, e em sentido diametralmente oposto, John McCain estará mais próximo dessa mesma ortodoxia. Assim, McCain olha para o mercado como panaceia para quase todos os problemas que vão desde a Educação, passando pela Saúde e Segurança Social. O problema é que as crises que têm assolado o mundo, e particularmente os Estados Unidos, parecem pôr à prova essa ortodoxia, mostrando que a fé cega nos mercados não é, de todo, a tal panaceia para os problemas, nem sequer para os problemas dos próprios mercados, como a desregulação tem vindo a demonstrar.
Com efeito, as questões económicas poderão ser o calcanhar de Aquiles de McCain e a grande vantagem de Obama. O fenómeno da globalização, ancorado no neoliberalismo vigente, tem colocado várias interrogações aos Americanos que assistem impotentes ao recrudescimento das suas dificuldades.
Barack Obama poderá, pois, insistir no afastamento da ortodoxia económica, correndo naturais riscos com os grandes grupos económicos americanos, mas podendo também dar sinais de esperança a um vasto conjunto de Americanos que tem perdido a fé na auto-regulação dos mercados.
Existe, contudo, um desafio que terá de merecer a necessária atenção do senador do Illinois – o Iraque. Se, por um lado, esta questão não está, presentemente, no centro das atenções dos Americanos, a verdade é que essa questão não desapareceu das preocupações da opinião pública americana. Ora, as propostas de McCain poderão parecer mais sólidas aos olhos do eleitorado. Do mesmo modo, Obama necessita de parecer mais seguro no que diz respeito a política externa, porque é também aqui que John McCain poderá ir buscar a sua força.

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