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A vida corre bem ao PS e mal ao país

A vida corre bem ao PS, pelo menos no que diz respeito às sondagens que têm vindo a ser divulgadas nas últimas semanas. Apesar de o Governo não reunir simpatias e esperanças acentuadas, a verdade é que as intenções de voto dos eleitores inclinam-se fortemente para o PS. É claro que o estado deplorável a que chegou o PSD contribui decisivamente para estes resultados. O facto do PSD ser notícia não pelas ideias, mas sim pelas constantes digladiações dos seus membros mais proeminentes, é um elemento indissociável da aparente liderança do PS em matéria de intenções de voto. Fica apenas a questão de se saber se a maioria está ou não ao alcance do PS.
Mas a vida não terá corrido tão bem ao Governo ao longo destes últimos anos. E talvez isso explique a existência de um sentimento generalizado de que este Governo não foi exímio no cumprimento de promessas eleitorais nem tão-pouco foi capaz de empreender as reformas a que se propôs.
E são precisamente as reformas que não se concretizaram que condenam o país a uma espécie de reiterado adiamento do progresso. A Justiça continua inoperante, a Saúde insustentável e prestadora de maus serviços, e a Educação uma espécie de anedota nacional que vai alimentando o repertório de quem faz comédia em Portugal. A Administração Pública continua à espera das tão prometidas reformas.
Por outro lado, a vida tem corrido menos bem ao Governo por culpa de incessantes episódios que fazem duvidar da qualidade da democracia portuguesa e da existência real de liberdades individuais. Foram muitos os episódios em que isso ficou patente; talvez o mais sintomático da falta de qualidade da nossa democracia foi a presença desconfortável de polícias em sindicatos.
O actual Executivo falhou em vários domínios, e pese embora se reconheça o sucesso da redução do défice, o país permanece genericamente o mesmo país deprimido. A isto acresce o aumento da pobreza, contemplada ou não pelos números do Governo, e o esmorecimento colectivo da esperança sobre o futuro do país.
A crise continua a ser um fantasma presente na casa de muitos cidadãos deste país, e com a forte possibilidade de vir a sofrer um acentuado recrudescimento consequência dos aumentos dos combustíveis e da alimentação. Muitos portugueses têm vindo progressivamente a conhecer um mundo de dificuldades às quais não estavam habituados – esse mundo de dificuldades gera um descontentamento que se reflecte naturalmente na opinião que estes têm sobre o Governo. De um modo geral, não é com paliativos disfarçados de medidas sociais que esse descontentamento poderá se desvanecer. Mas a ausência de alternativas credíveis, para além do voto de protesto, explica obviamente os resultados das sondagens. O PS não entusiasma, mas o PSD está mais entretido com as lutas internas do que com o estado do país.
É com este pano de fundo que se torna mais visível o grau de degradação do PSD. Quando num contexto de dificuldades geradoras de um acentuado descontentamento se verifica que o maior partido da oposição não sobe nas sondagens, é possível constatar que esse partido atravessa uma grave crise. E não se pode afirmar que é uma situação recente e, eventualmente transitória. Este processo começa com a saída de Durão Barroso e a entrada em cena de Pedro Santana Lopes, passa pelos seis meses de liderança bicéfala de Luís Filipe Menezes e, novamente, Pedro Santana Lopes e culmina com cisões patentes nas várias candidaturas para as eleições internas do partido.
Ainda assim, e apesar das dificuldades que o país enfrenta, é fundamental que o candidato a sair dessas eleições directas consiga pacificar o partido e voltar a restituir a esperança entretanto perdida de muitos portugueses. Mesmo que essa nova liderança não consiga vencer as legislativas, o país precisa novamente do PSD. Faz falta oposição ao Governo, oposição que não seja refém de minudências políticas e de constrangimentos ideológicos.

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