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O país mais desigual da União Europeia

Depois de se saber que Portugal é o país mais desigual da UE – o que, de resto, não será propriamente novidade – importa analisar as razões que fundamentam esse atraso e procurar soluções para mitigar, num primeiro momento, os efeitos da desigualdade, e num segundo momento estreitar o fosso entre os que mais têm e os que pouco ou nada têm.
A falta de competitividade da nossa economia, caracterizada pela fraca qualificação dos recursos humanos, pela tibieza do tecido empresarial e por uma justiça inoperante, potencia as desigualdades. Não pode haver justa redistribuição da riqueza se não houver riqueza para redistribuir.
É indubitável que os sacrifícios pedidos aos portugueses nos últimos anos têm, naturalmente, efeitos no bem-estar dos cidadãos. E se por um lado, é inequívoca a necessidade de consolidação orçamental, não só pelas prerrogativas do Pacto de Estabilidade e Crescimento, mas essencialmente porque contas públicas consolidadas criam um ambiente favorável ao crescimento, à confiança do consumidor, ao aumento no investimento e consequente crescimento do emprego; por outro, esse esforço teve forte impacto no bolso dos cidadãos. A esse esforço acrescente-se a estagnação ou regressão de salários, o aumento da precariedade e do desemprego e ainda a diminuição acentuado do poder de compra, e estão criadas as condições para que assista a uma rápida deterioração das condições de vida dos portugueses.
É, contudo, curioso verificar o contraste entre esse empobrecimento – que também assola a classe média – com o aumento substancial do bem-estar de uma minoria que tem escapado ilesa às crises. Não é demagógico abordar-se a questão dos elevados salários de alguns gestores, considerados de topo, quando essa é uma verdade inabalável e contrasta ignominiosamente com o aumento da pobreza de uma vasta franja da população. O argumento de que a redução desses salários empurraria os melhores para fora do país, perde solidez perante o simples facto de na generalidade dos países europeus não se verificar tal discrepância. E já agora, há muitos portugueses, alguns muito qualificados, que tiveram de sair do país por não encontrarem cá condições dignas de trabalho; e esses também representam uma perda irreparável para o futuro do país.
A crise do sector financeiro que teve origem no mercado subprime nos EUA, a crise petrolífera ou choque petrolífero e a crise alimentar são elementos que vão agravar sobremaneira a situação já periclitante de muitos portugueses. Importa referir que o Governo não terá muita margem para intervir na economia, margem essa que a economia espanhola, por exemplo, tem. Essa ausência de margem de intervenção, consequência de anos de incompetência e de inépcia, que ainda se arrasta no presente, é determinante para o futuro imediato dos mais desfavorecidos.
Numa altura em que o PSD se prepara para escolher o seu líder, vale a pena relembrar que Manuela Ferreira Leite tem feito dos problemas sociais uma bandeira da sua campanha. A candidata à presidência do partido percebe a gravidade da situação e sabe que nos estamos a afastar cada vez mais do caminho do desenvolvimento enquanto este problema não for sanado. Por isso, Ferreira Leite mostra ser, sobre esta matéria, quem está mais elucidada.
De uma coisa podemos estar certos: há um caminho a percorrer para eliminar estas diferenças colossais entre ricos e pobres, mas esse caminho só pode ser percorrido se, em simultâneo, existirem políticas para mitigar, num plano do imediato, o problema da pobreza.

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