terça-feira, 15 de janeiro de 2008

União Europeia e os desafios da globalização

A importância de uma discussão séria e aprofundada sobre a União Europeia é insofismável. Não apenas por razões intrínsecas ao Tratado de Lisboa que vai ser ratificado por via parlamentar, mas porque essa discussão tem sido incessantemente adiada. O desinteresse dos cidadãos e o seu desconhecimento sobre esta matéria são apontados como sendo os motivos que justificam a ausência de um debate mais alargado sobre a UE. O que fica amiúde por dizer é que o desinteresse dos cidadãos europeus é consequência da ausência de um projecto europeu que permita fazer face aos desafios da globalização e que, desse modo, tranquilize e afaste os receios de um vasto conjunto de europeus.
Com efeito, o medo de perder o emprego, o medo das deslocalizações de empresas e de postos de trabalho, da concorrência dos países asiáticos, do dumping social, e da emigração determinam a percepção que os cidadãos europeus têm da Europa. Além do mais, as incertezas que rodeiam o modelo social europeu a preponderância de correntes mais neoliberais no seio da UE só acentuam o clima de descrença nas instituições europeias – isto num quadro de frequente divergência entre os vários Estados-membros.
A aproximação dos cidadãos às instituições europeias faz-se também através de um verdadeiro projecto económico-social que permita a simultaneidade do crescimento económico e da protecção social. É evidente que a convergência de políticas e de posições entre os diferentes Estados-membros é condição sine qua non para que a UE possa fazer face aos desafios colocados pela globalização, na sua vertente económica.
Deste modo, é ilusório pensar-se que a construção europeia é exequível quando os seus cidadãos vivem atormentados com a possibilidade de perder o emprego, e o bem-estar social outrora conquistado. Claro que a desconfiança que os europeus têm no funcionamento da UE e nos políticos, a burocracia que caracteriza a UE e a sua forma de financiamento dão contributos para o afastamento dos mesmos relativamente à União Europeia; mas mais do que isso, são as incertezas quanto ao futuro que determinam esse mesmo afastamento.
É fundamental que o projecto europeu seja uma alternativa viável e bem sucedida aos ímpetos selvagens do capitalismo. No essencial, torna-se evidente que os líderes europeus não estão dispostos a ouvir os seus cidadãos, o que por si só é um péssimo augúrio para o futuro da Europa. Pior será se os mesmos líderes ignorarem as angústias de quem vive no espaço da UE. A Europa pode caminhar no sentido do crescimento económico se apostar no que tem de melhor: os seus cidadãos, apostando no ensino, na ciência e na tecnologia, mas nunca abdicando da coesão social.

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