segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Prioridades invertidas

O Governo decidiu baixar o IVA dos ginásios, apesar da medida parecer de pequena monta, a verdade é que essa redução de impostos tem um impacto significativo para os cofres do Estado. E mais: é o significado de uma medida desta natureza que incomoda por se verificar uma total inversão de prioridades por parte do Governo.
É evidente que esta decisão é indissociável de uma filosofia de saúde, higiene e bem-estar que acabará por deixar de ser uma escolha dos cidadãos, haverá de ser imposta. Nada disto surpreende quando se assiste às corridas do primeiro-ministro, pena é que a corrida do primeiro-ministro para o desenvolvimento se faça a passo de caracol, e com cada vez mais frequência, em marcha-atrás.
Por outro lado, é exasperante verificar as dificuldades que assolam a vidas dos portugueses e a elevada carga fiscal que é praticada no nosso país, Nestas circunstâncias, é inadmissível que o Governo escolha como prioridade os ginásios e se esqueça de outros produtos e serviços que são uma prioridade irrefutável da vida dos cidadãos.
Dir-me-ão que o princípio desta escolha é positivo na medida em que pode incentivar a comportamentos saudáveis como o desporto. Mas honestamente é difícil aceitar opções desta natureza quando se verifica o vasto rol de dificuldades que faz parte da vida dos cidadãos, e claro está, quando se constata que este ano o poder de compra vai decrescer novamente. E não é essa baixa que vai determinar o ingresso num ginásio, até porque o impacto nas mensalidades será incipiente.
O contexto da medida é claro e vem acompanhar a ideia o homem perfeito – tão cara ao primeiro-ministro. O problema é que a baixa do IVA nos ginásios – para cinco por cento – é ridícula para quem tem dificuldades diárias.
Haverá certamente quem aplauda esta decisão do Governo, até porque haverá beneficiados, e estes geralmente são incapazes de ver mais do que os seus interesses imediatos, contudo, esta medida é sintomática do insensibilidade do Governo que prefere adoptar políticas inseridas num contexto do homem perfeito – imposto pelo Estado paternalista – enquanto esquece as dificuldades dos eleitores transformados em meros números até 2009, quando voltarão a ser olhados como eleitores.

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