quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

O optimismo do Governo

O Governo, não obstante os sinais evidentes de uma crise financeira, mantém os elevados níveis de optimismo. Quanto à economia portuguesa, o ministro das finanças e o primeiro-ministro têm sublinhado os sucessos da redução do défice e do crescimento da economia portuguesa para o ano de 2008. Infelizmente, a conjuntura económica internacional vem pôr em causa o optimismo do Executivo.
Esta semana tem sido pródiga em acontecimentos que terão um impacto negativo nas previsões optimistas do Governo. A reserva federal americana antecipou, esta semana, o corte nas taxas de referência em 0,75 pontos, o que indicia a inevitabilidade dos EUA entrarem em recessão. Os sinais são de tal forma reveladores da inevitabilidade de uma recessão que o nervosismo e a desconfiança tomaram conta dos mercados. As notícias de quedas das bolsas são inquietantes.
Recorde-se que a crise da economia mundial tem origem no laxismo na concessão de crédito de alto risco, a já famigerada crise no mercado de subprime, e as consequentes perdas para o sistema financeiro – hoje a obtenção de crédito é mais difícil, o que traz novos problemas a um país sobre-endividado, como é o caso de Portugal. Além do mais, há o sentimento generalizado de que ainda não se conhece a verdadeira amplitude da crise do mercado subprime.
Parece inevitável falar-se de uma recessão na economia americana, o que tem consequências também para a Europa. Embora muitos economistas asseverem que as consequências de uma recessão americana são menos significativas para a Europa do que no passado, o que é parece consensual é que haverá consequências para as economias europeias, nem que seja devido aos problemas que recrudescem nos mercados financeiros.
Com este pano de fundo, o Governo continua a insistir numa mensagem de optimismo que nem sempre é moderado. Sendo certo que o pessimismo não é a melhor política, a verdade é que também importa informar os cidadãos e as empresas e prepará-las para o que está para vir, sem se cair num pessimismo infundado. Em bom rigor, torna-se difícil fazer a destrinça, com este Governo, entre o que é a realidade e o que é propaganda. Tendo em conta a seriedade do assunto em questão, o optimismo do Governo poderá ser consequência de uma percepção dos membros do Executivo de uma determinada realidade. Se essa percepção tem algum fundamento, só o futuro nos poderá dizer.

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