sábado, 26 de janeiro de 2008

Descontentamento na Saúde

Estas últimas semanas têm sido marcadas pelo recrudescimento da insatisfação das populações relativamente às alterações na área da Saúde. Antes de mais, importa relembrar que esta área é de importância crucial para o bem-estar dos cidadãos, e como é evidente, um país cuja população não tem esse bem-estar não caminha no sentido do desenvolvimento. Uma sociedade doente não se coaduna com o progresso.
Por outro lado, o envelhecimento das populações e as inovações na medicina acompanhadas por um acentuado avanço tecnológico tem contribuído para um aumento no que diz respeito ao acesso a serviços médicos. São as sobejamente conhecidas as dificuldades de sustentabilidade desta sensível área, e foram vários os Governos que tentaram, em vão, inverter o descalabro das contas na área da Saúde. O aumento exponencial do custo dos cuidados de saúde exige uma resposta que permita a viabilidade do SNS.
O actual Executivo está a levar a cabo um conjunto de mudanças cuja pertinência tem vindo a ser posta em causa. Parece, contudo, que o problema não reside nas alterações em si, mas o facto de não existirem alternativas viáveis que substituam os equipamentos e infra-estruturas que desapareceram. De facto, as políticas do ministério da Saúde parecem ter como objectivo primordial a redução de custos, sendo que essa redução tem sido feita à custa do bem-estar dos cidadãos. Não faz parte do objectivo deste texto dissertar sobre a proficuidade das medidas do Governo, e não é isso que está em causa. O que interessa discutir é se os encerramentos de vários serviços – muitos de proximidade com as populações – têm sido acompanhados de alternativas viáveis. Com efeito, parece que nada disso tem acontecido.
O ministro da tutela, em entrevista ao Expresso, afirma que a comunicação social tem responsabilidades no empolamento dos casos mais mediáticos, e refere também o aproveitamento político dos casos sensíveis do falecimento de duas crianças. O ministro está convencido que o descontentamento se restringe a algumas zonas do país e é empolado pela comunicação social. O país, na opinião do ministro, não sente profusamente um descontentamento em relação ao SNS.
O ministro da Saúde parece ter dificuldades de comunicação e mais do que isso, é incapaz de ver a realidade do país. Mas, será que as dificuldades de comunicação do ministro não estarão intimamente relacionadas com a dificuldade de justificar o inaceitável? Começa a ser manifestamente difícil ao primeiro-ministro manter este ministro em funções. A remodelação, que já deveria ter sido encetada, parece ser cada vez mais uma inevitabilidade.

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