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O peso da insignificância

A polémica em torno da taxa sobre sacos de plástico, ou dito de outra forma a celeuma em volta do “diz que não disse” do Governo sobre uma possível taxa sobre sacos de supermercado, revela a profunda exiguidade dos assuntos que são discutidos no nosso país. É evidente que as questões ecológicas têm toda a relevância, mas não se percebe como é que uma questão que podia ser resolvida de forma eficaz e célere, transforma-se no grande tema de debate do país.
É claro que as dívidas da Câmara Municipal de Lisboa e as birras políticas sobre as mesmas não têm a mesma gravidade do que aplicação de taxas sobre sacos plásticos; nem tão-pouco a Cimeira Europa-África terá algum interesse, e o mesmo se aplica ao dinheiro retirado ao erário público para pagar a defesa de uma autarca que fugiu do país e regressou, exultante, para reconquistar a Câmara. E o que dizer do incremento da criminalidade violenta que muitos insinuam ser o resultado de um determinado empolamento de alguma comunicação social?
Naturalmente que a discussão sobre o exagero de sacos plásticos distribuídos por alguns supermercados é acessória, porque a questão de fundo prende-se com mais uma trapalhada do Governo que parece que queria promover uma consulta pública sobre a tal taxa. O episódio culminou com uma amálgama de argumentos espúrios proferidos pelo secretário de Estado do Ambiente. O episódio serviu para encher algumas páginas de jornais, e pouco mais do que isso.
A discussão sobre este assunto não é descabida, mas compreende-se a dificuldade de se resolver um problema que até poderia ter uma solução simples quando se verificam os avanços e recuos do Governo.
Entretanto, o país não pára e importa que certas notícias não sejam veiculadas com a ligeireza a que alguns órgãos de comunicação social já nos habituaram. Até porque promover ad nauseum discussões desta natureza acaba sempre por redundar no discorrer dos “acho que não” ou dos “acho muito bem que se pague taxa sobre os sacos de plástico”, e não se adianta muito mais do que isto.
E, por outro lado, não se entende que um Governo que mostra uma intransigência desvairada sobre algumas matérias, acabe por ser tão complacente com outras. O Governo juntamente com os movimentos ecologistas e os representantes das empresas de distribuição que sentem a uma mesa e que discutam este assunto. É que o país precisa de ultrapassar esta crise dos sacos plásticos distribuídos pelos supermercados e hipermercados.

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